FAB avalia caça italiano M-346FA para substituir os AMX A-1 e reforçar capacidade de ataque ao lado dos Gripen

Jota

30 de maio de 2026

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Enquanto a Força Aérea Brasileira avança na incorporação dos caças Gripen F-39E, outro movimento começou a despertar atenção nos bastidores da aviação militar. A informação ainda não foi confirmada oficialmente, mas envolve uma possível escolha capaz de mexer com o futuro da aviação de combate brasileira nos próximos anos.

Embora não exista confirmação oficial sobre uma futura compra, o assunto ganhou destaque. Afinal, ele pode indicar como a FAB pretende lidar com a saída gradual dos AMX A-1M e com a necessidade de manter capacidade de ataque tático.

FAB talvez compre o Leonardo M-346FA para substituir os AMX A-1_Imagem Ilustrativa
FAB talvez compre o Leonardo M-346FA para substituir os AMX A-1_Imagem Ilustrativa

A discussão sobre um novo vetor não surgiu por acaso. Ela aparece justamente no momento em que a FAB acelera o processo de retirada dos AMX A-1M, aeronaves que formaram a espinha dorsal do ataque tático brasileiro durante décadas.

Originalmente, a desativação da frota vinha sendo associada ao período entre 2025 e 2026. No entanto, contratos de suporte logístico e a necessidade operacional da Força Aérea Brasileira acabaram esticando parte dessa operação.

Informações do setor já apontam que algumas aeronaves podem continuar voando até 2027. Esse prazo, porém, depende da disponibilidade logística e da transição para novos vetores.

Hoje, a operação do AMX está concentrada principalmente no 1º/10º GAv, o tradicional Esquadrão Poker, sediado na Base Aérea de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Nos últimos anos, a FAB reduziu gradualmente a presença do modelo em outras unidades e concentrou a frota remanescente no Sul do país.

A principal missão atual do A-1M continua sendo o ataque tático, apoio aéreo aproximado, treinamento operacional avançado e missões de reconhecimento armado. Além disso, a aeronave ainda participa de exercícios importantes da FAB e mantém capacidade relevante de emprego de armamentos ar-superfície.

Embora os números exatos variem conforme disponibilidade e manutenção, estimativas públicas recentes apontavam cerca de 24 aeronaves na frota brasileira até 2024. Entretanto, apenas uma parcela desse total permanece efetivamente disponível para voo dentro da atual fase de desativação gradual.

O que a FAB avalia para substituir os AMX

Segundo informações publicadas pela Revista ASAS, a Força Aérea Brasileira avalia o caça italiano M-346FA, fabricado pela Leonardo Aeromacchi, como possível solução para substituir gradualmente os veteranos AMX A-1M.

O AMX foi desenvolvido em parceria entre Brasil e Itália, por meio de um consórcio formado por Aeritalia, Aermacchi e Embraer. Anos depois, a Embraer também participou da modernização da frota brasileira para o padrão A-1M.

As futuras aeronaves M-346FA também poderiam atuar em missões de ataque tático, treinamento avançado e apoio aos Gripen F-39E. Dessa forma, a FAB criaria uma estrutura complementar para missões de menor custo operacional.

Até o momento, entretanto, não há anúncio oficial da FAB, do Ministério da Defesa ou da fabricante italiana confirmando negociações formais.

Segundo as informações divulgadas pela Revista ASAS, a FAB estaria avaliando a aquisição de até 36 aeronaves M-346FA. O número chama atenção porque permitiria substituir gradualmente os AMX remanescentes e ainda criar uma estrutura complementar aos Gripen.

Apesar disso, não existe confirmação oficial de que um processo de compra tenha sido aberto. Também não foram divulgados estudos públicos, cronogramas oficiais ou previsão orçamentária específica para uma eventual aquisição.

Esse ponto gera dúvidas dentro do próprio setor de defesa. Afinal, a FAB ainda enfrenta restrições orçamentárias importantes e continua absorvendo investimentos ligados ao Programa Gripen.

Por isso, mesmo que existam análises técnicas ou conversas preliminares envolvendo o M-346FA, qualquer avanço dependeria de disponibilidade financeira, aprovação governamental e definição de prioridades dentro do orçamento da Defesa.

Aermacchi-M-346FA_Imagem-Leonardo-Aeromacchi.j
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Por que o M-346FA desperta interesse internacional

O M-346 nasceu originalmente como um treinador avançado para pilotos de caça. No entanto, a Leonardo desenvolveu uma versão armada chamada M-346FA, capaz de executar missões reais de combate.

A aeronave possui radar multimodo, sistemas modernos de guerra eletrônica e capacidade para transportar mísseis ar-ar, bombas guiadas e armamentos convencionais.

Por essa razão, diversos países passaram a enxergar o modelo como uma alternativa interessante para complementar frotas de caças mais sofisticados e caros de operar.

Na prática, o conceito segue uma lógica semelhante à adotada por várias forças aéreas modernas. Elas utilizam aeronaves de alta performance em missões estratégicas e empregam plataformas mais econômicas em operações de menor complexidade.

Como o possível novo caça poderia atuar ao lado dos Gripen

Um dos pontos mais interessantes da proposta seria justamente a complementaridade entre os dois modelos.

Enquanto o Gripen foi concebido para superioridade aérea, defesa do espaço aéreo e missões de alta intensidade, o M-346FA poderia assumir operações menos complexas. Com isso, a FAB reduziria custos e preservaria horas de voo da principal aeronave de caça do país.

Além disso, o modelo também poderia ter papel importante na formação operacional de futuros pilotos de Gripen. Assim, a FAB criaria uma transição mais próxima entre os treinadores e os modernos caças de primeira linha.

Essa estratégia já aparece em algumas forças aéreas que buscam equilibrar capacidade operacional e restrições orçamentárias.

O futuro dos AMX segue em aberto na FAB

A possível avaliação do M-346FA também reacende o debate sobre a substituição dos AMX A-1M.

Desenvolvido em parceria entre Brasil e Itália durante a década de 1980, o AMX se tornou uma das principais aeronaves de ataque da FAB. Ao longo dos anos, o modelo participou de exercícios internacionais, missões de defesa aérea e importantes programas de modernização.

Entretanto, o avanço da idade da frota torna inevitável a busca por uma solução nos próximos anos. Além disso, a renovação tecnológica passou a ser uma necessidade para manter a capacidade operacional.

Por enquanto, a FAB não confirmou oficialmente qual caminho adotará para preencher essa lacuna. Ainda assim, as informações sobre o M-346FA mostram que o futuro da aviação de combate brasileira segue em debate.

Fonte: Revista ASAS