Apenas 235 mulheres pilotam nas três maiores aéreas do Brasil, mas elas estão cada vez mais presentes em outros céus da aviação

Jota

13 de julho de 2026

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As mulheres pilotas nas companhias aéreas brasileiras ainda representam uma pequena parcela das cabines. Um levantamento recente revelou que 235 profissionais trabalham atualmente na Azul, Gol e LATAM, as três maiores empresas aéreas do país.

Entretanto, esse número representa somente uma parte da realidade. Ele considera exclusivamente as profissionais contratadas pelas empresas de transporte aéreo regular. Fora desse universo, centenas de mulheres constroem carreira diariamente na aviação executiva, táxi-aéreo, helicópteros, operações offshore, aviação agrícola, instrução de voo, Forças Policiais e Força Aérea Brasileira (FAB) e até em voos de produção, demonstração e aceitação de aeronaves na Embraer.

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Chegar à cabine de um avião comercial costuma ser o objetivo de muitos pilotos. No entanto, esse normalmente é o último degrau de uma trajetória que começa muito antes.

A maioria dos profissionais passa por aeroclubes, escolas de aviação, instrução de voo, táxi-aéreo, aviação executiva ou operações com helicópteros para acumular experiência e horas de voo antes de disputar uma vaga nas companhias.

Por isso, as 235 mulheres atualmente contratadas pelas três maiores empresas brasileiras representam apenas a parcela mais visível de uma comunidade muito maior de aviadoras espalhadas pelos diversos segmentos da aviação nacional.

Segundo o levantamento, a LATAM Brasil conta com 94 mulheres pilotas, enquanto a Azul emprega 86 profissionais. Já a Gol não divulgou oficialmente seu quadro atualizado, mas a estimativa é de aproximadamente 55 pilotas. Somadas, as três companhias reúnem 235 mulheres na função.

Somadas, elas representam pouco mais de 4% do quadro de pilotos dessas empresas, percentual que mostra uma evolução em relação aos últimos anos, mas ainda evidencia uma forte predominância masculina nas cabines.

Na Azul, por exemplo, o número de mulheres comandantes passou de 18 para 30 entre 2020 e 2026. Além disso, a empresa informa que ampliou significativamente a presença feminina em seu quadro técnico. A Latam também mantém programas voltados ao recrutamento e desenvolvimento de novas pilotas.

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Enquanto a aviação comercial ainda apresenta participação reduzida, outros segmentos mostram uma presença feminina cada vez mais consolidada.

Hoje é possível encontrar mulheres comandando jatos executivos, helicópteros utilizados em transporte corporativo e operações offshore para plataformas marítimas, aeronaves agrícolas, aviões aeromédicos e equipamentos empregados em missões de segurança pública.

Na Força Aérea Brasileira, elas atuam em aeronaves de transporte, asas rotativas e diversas outras especialidades operacionais. Além disso, a Embraer conta com mulheres em atividades ligadas aos voos de produção, demonstração e aceitação de aeronaves, funções fundamentais antes da entrega dos aviões aos clientes.

Essa diversidade mostra que a presença feminina na aviação brasileira vai muito além das cabines das companhias aéreas.

A presença feminina também cresce na aviação militar e nas operações de segurança pública.

Em 2026, a Marinha do Brasil formou suas primeiras mulheres aviadoras navais. As segundas-tenentes Helena de Souza Monteiro Morais e Isabela Ferreira de Amorim concluíram a preparação exigida para a atividade aérea naval.

No Paraná, outros marcos também ganharam destaque. A capitã Keyla Karas se tornou a primeira mulher piloto de helicóptero do Corpo de Bombeiros do estado.

Além disso, a capitã Maitê Baldan foi a primeira mulher piloto de helicóptero do Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas. Já a capitã Jenifer Formanquevski tornou-se a primeira copiloto mulher da Casa Militar do Paraná.

São Paulo também possui mulheres entre os pilotos dos helicópteros Águia da Polícia Militar. Lara foi a primeira oficial a pilotar as aeronaves da unidade. Depois dela, Natália, Mayara e Larissa Fidelis Aguiar também passaram a integrar esse grupo de aviadoras policiais.

Essas profissionais participam de uma unidade que realiza missões de patrulhamento, perseguição, busca, salvamento, resgate aeromédico, transporte de órgãos e apoio ao Corpo de Bombeiros.

Apesar do crescimento, entrar na profissão ainda exige um investimento elevado.

A formação envolve cursos teóricos, horas práticas de voo, exames médicos, habilitações específicas e, posteriormente, a necessidade de acumular experiência profissional antes de chegar às grandes empresas.

Segundo dados do Ministério de Portos e Aeroportos, apenas cerca de 3% dos pilotos brasileiros são mulheres. Para ampliar essa participação, o governo passou a apoiar programas de formação de pilotas e mecânicas, incluindo iniciativas voltadas à concessão de bolsas e capacitação profissional.

Mulheres pilotas nas companhias aéreas brasileiras durante preparação para voo comercial.
Mulheres pilotas nas companhias aéreas brasileiras durante preparação para voo comercial.

Nos últimos anos, a presença feminina ganhou maior visibilidade na aviação brasileira.

Além dos programas públicos e privados de incentivo, projetos como o documentário Aviação com Elas, acompanhado recentemente pelo site AeroJota, mostram histórias de mulheres que atuam em diferentes áreas do setor aeronáutico.

Os números ainda estão longe de representar equilíbrio entre homens e mulheres nas cabines das grandes companhias. Entretanto, o cenário começa a mudar. A cada nova turma formada, novas comandantes, copilotas, instrutoras e aviadoras passam a ocupar espaços que, durante décadas, foram predominantemente masculinos.

Assim, o levantamento das 235 mulheres nas três maiores companhias aéreas mostra apenas um recorte da realidade. Na prática, a participação feminina cresce em diversos segmentos da aviação brasileira e amplia, ano após ano, sua presença nos céus do país.