Companhias aéreas brasileiras voltam ao lucro com R$ 4,3 bilhões em 2025, mas custos ainda desafiam o setor

Jota

13 de julho de 2026

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O lucro das companhias aéreas brasileiras em 2025 alcançou R$ 4,3 bilhões, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). O resultado marca uma mudança importante após anos de dificuldades para a aviação comercial do País.

O desempenho recebeu impulso do aumento da demanda por viagens, da maior eficiência operacional e das mudanças na composição dos custos das empresas.

Apesar disso, o relatório mostra que o setor ainda enfrenta um cenário desafiador. Enquanto algumas despesas diminuíram, outras cresceram de forma significativa. Por isso, os custos continuam pressionando as companhias e limitando reduções maiores no preço das passagens.

ANAC aponta lucro de R$ 4,3 bilhões para as companhias aéreas brasileiras em 2025_Imagem Ilustrativa 2
ANAC aponta lucro de R$ 4,3 bilhões para as companhias aéreas brasileiras em 2025_Imagem Ilustrativa 2

Um dos fatores que mais contribuíram para o desempenho financeiro das empresas foi o crescimento da demanda.

Segundo o Anuário do Transporte Aéreo 2025, o Brasil registrou, pela primeira vez na história, mais de 100 milhões de passageiros transportados em voos domésticos durante um único ano. Ao todo, foram cerca de 101 milhões de viajantes, estabelecendo um novo recorde para a aviação comercial brasileira.

O aumento da ocupação das aeronaves também chamou atenção.

A taxa média de ocupação dos voos domésticos chegou a 83,6%, indicando que as empresas conseguiram transportar mais passageiros utilizando praticamente a mesma estrutura operacional. Esse indicador representa um dos melhores resultados já registrados pela aviação brasileira.

Na prática, isso significa que, a cada 100 assentos disponíveis nos voos domésticos, cerca de 84 foram ocupados. Esse resultado ajuda as empresas a distribuir os custos de cada voo entre mais passageiros, aumentando a eficiência da operação.

Passagens ficaram, em média, mais baratas

Embora muitos passageiros tenham percebido aumentos em determinadas rotas ao longo do ano, os dados consolidados mostram uma tendência diferente.

A tarifa aérea doméstica média apresentou queda real de 3,3% em comparação com 2024. O Yield Doméstico Médio — indicador utilizado para medir quanto as empresas recebem por quilômetro voado por passageiro — também recuou 4,9% no período.

Na prática, isso significa que as companhias conseguiram aumentar o número de passageiros mesmo cobrando, em média, menos por cada quilômetro transportado.

ANAC aponta lucro de R$ 4,3 bilhões para as companhias aéreas brasileiras em 2025_Imagem Ilustrativa
ANAC aponta lucro de R$ 4,3 bilhões para as companhias aéreas brasileiras em 2025_Imagem Ilustrativa
O que é o Yield e por que esse indicador é importante?

Entre os dados divulgados pela ANAC está a redução de 4,9% no Yield doméstico médio. Apesar do nome pouco conhecido pelo público, esse é um dos principais indicadores utilizados pela aviação comercial.

O Yield representa quanto a companhia aérea recebe, em média, por passageiro e por quilômetro transportado. Quando esse indicador diminui, nem sempre significa perda de rentabilidade.

Se mais passageiros ocupam os voos e a taxa de ocupação das aeronaves aumenta, as empresas podem manter ou até ampliar seus resultados financeiros. Isso pode acontecer mesmo quando a arrecadação média por quilômetro voado apresenta redução.

Mesmo com o lucro bilionário, o combustível permanece como a principal despesa das companhias aéreas.

Segundo a ANAC, sua participação no total dos custos caiu de 30,6% para 29,4% em 2025. A redução ajudou a aliviar parte da pressão financeira enfrentada pelas empresas.

Por outro lado, outras despesas cresceram.

Os gastos com arrendamento, seguros e manutenção de aeronaves passaram de 18,8% para 21,2% da estrutura de custos, refletindo a valorização do dólar, contratos internacionais e o aumento das despesas relacionadas à manutenção da frota.

Esse cenário demonstra que a melhora dos resultados financeiros não significa necessariamente uma redução proporcional dos custos operacionais.

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O levantamento também mostra como ficou a divisão do mercado brasileiro em 2025.

A LATAM transportou aproximadamente 39 milhões de passageiros, alcançando participação de 38,6% no mercado doméstico.

Na sequência aparecem a Gol e a Azul, que continuam formando o grupo das três maiores companhias aéreas do País. Juntas, elas responderam pela maior parte dos voos domésticos realizados ao longo do ano.

O desempenho dessas empresas teve papel decisivo para que a aviação comercial brasileira alcançasse os melhores resultados desde o período anterior à pandemia.

ANAC aponta lucro de R$ 4,3 bilhões para as companhias aéreas brasileiras em 2025_Imagem Ilustrativa 4
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Embora o lucro de R$ 4,3 bilhões chame atenção, esse resultado não significa que as passagens aéreas ficarão mais baratas no curto prazo.

Isso acontece porque a aviação comercial opera com uma estrutura de custos bastante complexa. Além disso, as companhias precisam investir continuamente em manutenção, treinamento de tripulações, tecnologia, renovação da frota e cumprimento dos rigorosos requisitos de segurança.

Ao mesmo tempo, muitos contratos de leasing, seguros e aquisição de peças são negociados em dólar. Por isso, o setor permanece sensível às oscilações da moeda norte-americana e às variações do mercado internacional.

Além do câmbio, fatores como o preço do querosene de aviação, a disponibilidade de peças, os custos aeroportuários e o comportamento da demanda influenciam diretamente as tarifas, a oferta de voos e a expansão das malhas aéreas.

Dessa forma, o lucro registrado em 2025 representa um importante sinal de recuperação da aviação brasileira. No entanto, esse resultado não elimina os desafios enfrentados pelas companhias aéreas.

Por outro lado, o recorde histórico de passageiros demonstra que a demanda pelo transporte aéreo continua crescendo no Brasil. Portanto, caso esse ritmo seja mantido e os custos permaneçam sob controle, as empresas poderão consolidar um ciclo mais sustentável de crescimento nos próximos anos.

Fonte: Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) – Anuário do Transporte Aéreo 2025.