BASP completa 85 anos e resgata a trajetória da Base Aérea de São Paulo em Guarulhos
A Base Aérea de São Paulo completa 85 anos como uma das unidades mais importantes e antigas da Força Aérea Brasileira. Hoje, ela está instalada na cidade de Guarulhos, na Grande São Paulo. Ainda assim, leva o nome da capital paulista e mantém ligação direta com a história da aviação militar no maior centro urbano do país.
Essa relação entre nome, cidade e memória ainda desperta curiosidade. Afinal, muita gente associa a Base apenas a Cumbica, nome indígena que vem da etnia Tupi e que quer dizer “nuvem baixa“, em função das fortes neblinas que havia e há no local. No entanto, sua origem não começou ali. Além disso, a unidade também não nasceu com o nome que utiliza hoje.

A origem da BASP começou no Campo de Marte
A história da atual Base Aérea de São Paulo começou em 22 de maio de 1941. Naquele momento, a unidade foi criada com o nome de 2º Corpo de Base Aérea. Sua sede inicial ficava na cidade de São Paulo, em área ligada ao Campo de Marte e ao Parque de Material Aeronáutico de São Paulo PAMA SP.
Essa escolha ocorreu porque as instalações definitivas ainda passavam por conclusão. Por isso, a estrutura começou a funcionar na capital paulista. Assim, a origem da BASP ficou diretamente ligada ao berço da aviação militar em São Paulo. Alguns anos depois, em 29 de agosto de 1944, a unidade passou a adotar oficialmente a denominação Base Aérea de São Paulo. A mudança de nome, porém, ainda antecedeu a consolidação completa da Base na cidade de Guarulhos.
A transferência para Cumbica marcou uma nova fase
A mudança para a região de Cumbica representou uma nova etapa na história da unidade. A transferência foi efetivada em 26 de janeiro de 1945. A partir dali, a Base Aérea de São Paulo passou a se consolidar em Guarulhos, no local que, décadas depois, também ganharia enorme projeção com o aeroporto internacional.
Com o tempo, o nome Cumbica se tornou tão forte no imaginário popular que muita gente passou a chamar a unidade de Base Aérea de Cumbica. Essa associação continua viva até hoje. Ainda assim, a denominação oficial permanece como Base Aérea de São Paulo. Esse detalhe ajuda a explicar por que a BASP ocupa um lugar tão singular na memória da aviação brasileira. Ela nasceu vinculada à capital paulista, mudou-se para Guarulhos e, mesmo assim, preservou o nome original ao longo das décadas.

Antes do aeroporto internacional, a região já tinha importância militar
Atualmente, quando se fala em Cumbica, a maioria das pessoas pensa primeiro no Aeroporto Internacional de Guarulhos. No entanto, a relevância da região para a aviação começou antes da expansão civil. Muito antes da inauguração do aeroporto, em 1985, a Base Aérea de São Paulo já dava ao local intensa movimentação militar.
Na prática, a BASP reunia efetivo de milhares de militares, unidades aéreas, serviços de apoio e rotina operacional constante. Por isso, a área já se destacava como ponto estratégico da aviação brasileira muito antes do crescimento do transporte aéreo comercial. Esse aspecto costuma passar despercebido hoje. Mesmo assim, ele ajuda a entender por que a história da BASP não pode ser confundida apenas com a do aeroporto civil que viria depois.

A BASP funcionava como uma pequena cidade militar
Ao longo de sua história, a Base Aérea de São Paulo não se limitou à pista e aos hangares. Pelo contrário, a unidade concentrou uma ampla rede de apoio ao funcionamento militar e à vida cotidiana de quem servia no local. Em diferentes fases, a BASP contou com capela, cinema, hospital, Corpo de Bombeiros da Aeronáutica, dois clubes militares, central telefônica, lavanderia, hotel de trânsito de tripulações, serviços bancários, vilas militares e setores administrativos.
Essa configuração ajuda a explicar a dimensão que a Base alcançou em Guarulhos. Durante muitos anos, a BASP funcionou como uma verdadeira cidade militar. Sua relevância, portanto, não estava apenas no voo, mas também na estrutura completa que sustentava o dia a dia da Aeronáutica e de quem vivia naquele ambiente. A imagem de uma Base limitada aos hangares não traduz o que a BASP representou em sua fase de maior atividade.

A ligação ferroviária também ajuda a entender esse contexto
Além da estrutura interna, o entorno da Base Aérea de São Paulo também refletia a dinâmica da época. A região era atendida pela antiga ligação ferroviária entre Guarulhos e o bairro do Jaçanã, na capital paulista. Essa malha ficou conhecida na cultura popular pela música Trem das Onze, de Adoniran Barbosa. Embora não tenha relação direta com a Base, esse detalhe ajuda a ilustrar como a BASP estava inserida em uma São Paulo em transformação e, dentro da Base Aérea, havia a estação Cumbica.

Ensino, logística e apoio também fizeram parte da história da Base
A BASP também teve papel importante em áreas além da operação aérea. Em diferentes momentos, a unidade recebeu organizações de ensino, logística e apoio militar, o que amplia ainda mais seu peso histórico dentro da Força Aérea Brasileira. Entre essas estruturas, esteve a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais da Aeronáutica (EAOAR), criada em 1953 em São Paulo e transferida para o Rio de Janeiro em 1984.
Além disso, a Base passou a abrigar o Instituto de Logística da Aeronáutica (ILA), criado em 1988 e ativo até hoje. No mesmo contexto, a BASP também reuniu Infantaria, Polícia da Aeronáutica, Cães de Guerra da Aeronáutica e o prédio do Comando. Dessa forma, a unidade cumpriu funções muito mais amplas do que apenas receber aeronaves e tripulações.
As unidades aéreas também ajudaram a marcar a história da BASP
Ao longo de sua trajetória, a Base Aérea de São Paulo recebeu diferentes unidades que ajudaram a construir sua identidade operacional. Entre elas, passaram pela BASP organizações como o 2º Grupo de Bombardeio Leve, a 41ª Esquadrilha de Reconhecimento e Ataque, o Esquadrão Poker, o Esquadrão Pelicano, o 4º Esquadrão Misto de Reconhecimento e Ataque, o 4º Esquadrão de Ligação e Observação, o Posto CAN, o Esquadrão de Suprimento e Manutenção e o Esquadrão Carajá. Esse conjunto mostra como a Base acompanhou diferentes fases da aviação militar brasileira. O detalhamento dessas unidades e de suas aeronaves será tratado em matéria dedicada.

Os 85 anos da BASP ajudam a entender a aviação militar paulista
Falar dos 85 anos da Base Aérea de São Paulo é lembrar que a história da aviação militar paulista não começou com o aeroporto internacional. A BASP atravessou mudanças de sede, fases de expansão e transformações profundas em seu entorno. Ainda hoje, a unidade representa um elo entre o passado do Campo de Marte, a consolidação de Cumbica e a evolução da própria Força Aérea Brasileira.
Em uma região marcada pelo transporte aéreo civil, a Base continua sendo peça central da memória militar e aeronáutica do estado de São Paulo. Ao completar 85 anos, no dia 22 de maio de 2026, a data também convida ao reconhecimento da unidade e dos militares, homens e mulheres, que ao longo de décadas ajudaram a construir essa rica trajetória da BASP, atualmente sob o comando do Coronel Aviador Fernando Campos Montenegro.





