FAA quer acelerar certificação de novos aviões e aproximar regras da Europa

Jota

1 de julho de 2026

A certificação de uma nova aeronave comercial pode levar anos e consumir bilhões de dólares em testes, análises e documentação. Agora, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) quer tornar esse processo mais rápido e eficiente.

A agência apresentou uma proposta para modernizar as regras de certificação de aviões comerciais e aproximar seus requisitos daqueles adotados pela Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA). O objetivo é reduzir burocracias, eliminar exigências duplicadas e criar um processo mais uniforme entre os dois maiores órgãos certificadores do mundo.

FAA-quer-acelerar-certificacao-de-novos-avioes_Imagem-Ilustrativa
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Segundo a proposta, a FAA pretende revisar diversos regulamentos de aeronavegabilidade que hoje obrigam fabricantes a solicitar exceções, condições especiais ou demonstrações adicionais de segurança durante o desenvolvimento de novos modelos.

Em vez disso, a agência quer adotar normas mais modernas e baseadas em desempenho, permitindo que projetos inovadores atendam aos requisitos técnicos sem enfrentar longos processos administrativos.

Além disso, a harmonização com a EASA permitirá que muitos requisitos sejam aceitos por ambas as autoridades, reduzindo retrabalho para fabricantes que pretendem vender aeronaves tanto nos Estados Unidos quanto na Europa.

Caso a proposta seja aprovada, empresas como a Boeing, Airbus, Embraer e Bombardier poderão desenvolver novos aviões com processos regulatórios mais previsíveis.

Hoje, apesar da cooperação existente entre FAA e EASA, ainda existem diferenças técnicas que obrigam os fabricantes a produzir documentação específica para cada autoridade certificadora.

A intenção é diminuir essas divergências, reduzindo custos, tempo de certificação e a complexidade dos programas de desenvolvimento, sem comprometer os níveis de segurança exigidos pelos reguladores.

Para a Embraer, a mudança pode representar uma vantagem importante.

Como a fabricante brasileira comercializa aeronaves em diversos mercados internacionais, qualquer redução no tempo necessário para obter certificações simultâneas pode acelerar a entrada de novos modelos em operação.

Isso vale tanto para futuras versões da família E-Jets quanto para projetos ainda em desenvolvimento, além de facilitar atualizações técnicas em aeronaves já certificadas.

Embora a proposta não altere diretamente programas específicos da empresa, especialistas avaliam que um ambiente regulatório mais alinhado tende a beneficiar fabricantes com presença global.

Após os acidentes envolvendo o Boeing 737 MAX, a FAA reforçou significativamente seus processos de certificação e passou a trabalhar de forma ainda mais próxima da EASA e de outras autoridades internacionais.

Por isso, a agência afirma que a simplificação das regras não significa flexibilizar os critérios de segurança.

Segundo a FAA, a modernização deverá manter — ou até elevar — os atuais padrões de segurança, ao mesmo tempo em que elimina exigências consideradas redundantes ou desatualizadas.

A proposta surge poucos dias após FAA e EASA assinarem um compromisso para ampliar a cooperação técnica. O acordo envolve certificação, tecnologias emergentes e segurança operacional.

Entre as prioridades estão a harmonização dos processos de certificação e o desenvolvimento de novas tecnologias aeronáuticas. Além disso, as agências querem modernizar normas internacionais da aviação civil.

Esse alinhamento interessa diretamente aos fabricantes. Afinal, quanto mais próximas forem as regras, menor será a necessidade de repetir análises em diferentes mercados.

Na prática, a proposta busca reduzir o tempo necessário para colocar novas aeronaves no mercado. Além disso, pretende diminuir custos para fabricantes e tornar o processo regulatório mais previsível.

Caso a FAA implemente a mudança, a iniciativa poderá beneficiar programas atuais e futuros projetos da indústria aeronáutica mundial.

Para Boeing, Airbus, Embraer e Bombardier, a expectativa é de um ambiente regulatório mais integrado entre Estados Unidos e Europa.

Assim, a indústria pode ganhar mais eficiência, inovação e competitividade. Ao mesmo tempo, os reguladores tentam preservar os altos padrões de segurança que sustentam a aviação civil.