Perícia solicitada pelo Aeroclube de Marília avalia instalações construídas ao longo de décadas e acrescenta novo capítulo à disputa pelo aeroporto
A possível indenização ao Aeroclube de Marília levanta uma pergunta que vai muito além dos valores financeiros: quanto valem os hangares e as instalações que ajudaram a formar pilotos durante gerações? No interior paulista, essa questão ganhou importância em uma disputa judicial envolvendo a instituição, fundada em 1940, e a concessionária Rede VOA, responsável pela administração do aeroporto da cidade.
Fundado em 1940, o Aeroclube enfrenta uma ação de reintegração de posse movida pela concessionária Rede VOA, responsável pela administração do Aeroporto Estadual Frank Miloye Milenkovich. O processo envolve a utilização da área ocupada pela entidade, as instalações existentes e os planos de ampliação do terminal aeroportuário.
Agora, uma avaliação técnica acrescenta um elemento financeiro importante à discussão.

Laudo contratado pelo Aeroclube de Marília aponta R$ 4,1 milhões
Segundo informações repassadas ao site AeroJota por um diretor da instituição, o Aeroclube contratou o engenheiro civil Paulo César Lapa para avaliar as benfeitorias existentes na área ocupada.
O levantamento considerou três hangares, banheiros, telhados anexos e escritórios, construídos com recursos próprios ao longo dos anos. O laudo apontou aproximadamente R$ 4,1 milhões, valor que poderá servir de referência para uma eventual indenização ao Aeroclube de Marília.
O montante também foi divulgado pelo jornal Giro Marília.
O documento é independente da perícia anteriormente determinada pela Justiça, cujos honorários de R$ 22 mil tiveram o parcelamento autorizado. A eventual indenização dependerá de decisão judicial.
Possível indenização pode elevar custos da Rede VOA
A Rede VOA, comandada pelo CEO Marcel Gomes Moure, coronel da reserva remunerada da Força Aérea Brasileira, anunciou investimentos de R$ 9.877.976,00 para modernização e ampliação do Aeroporto de Marília.
Caso a Justiça determine que a concessionária pague os R$ 4,1 milhões, a obrigação representaria aproximadamente 41,5% do valor anunciado para as obras. Somados, os dois montantes alcançariam cerca de R$ 13,98 milhões.
A comparação é apenas financeira, pois ainda não existe decisão definitiva sobre a indenização. O site AeroJota já detalhou os investimentos no aeroporto em reportagem anterior.

Rede VOA e Aeroclube discutem ocupação do aeroporto
A Rede VOA sustenta que a área ocupada pelo Aeroclube interfere em seus projetos de expansão do aeroporto.
A instituição, por sua vez, defende a continuidade das atividades de formação aeronáutica e o reconhecimento dos investimentos realizados ao longo de sua história.
O conflito também envolve alternativas para utilização do espaço aeroportuário.
Em manifestações anteriores, o Aeroclube apontou a existência de uma área desocupada de aproximadamente 70 mil metros quadrados, que, segundo a entidade, poderia ser utilizada para projetos de ampliação.

Patrimônio histórico também está em discussão
A disputa não se limita ao valor das construções.
Em julho de 2025, o AeroJota noticiou que a Justiça havia mantido o tombamento do Aeroclube como patrimônio cultural municipal, rejeitando pedido de suspensão apresentado pela concessionária.
A proteção patrimonial acrescenta outra dimensão ao conflito, embora não resolva automaticamente as questões possessórias discutidas na ação.
Com 86 anos de história, o Aeroclube de Marília representa parte da trajetória da formação de aviadores no interior paulista.
Além das instalações físicas, sua atuação envolve instrução aeronáutica, atividades de voo e preservação da memória da aviação regional.
O que muda com o laudo de R$ 4,1 milhões?
O valor divulgado acrescenta uma referência econômica à disputa, mas não encerra o processo judicial.
A Justiça ainda deverá considerar as manifestações das partes, a documentação existente e as conclusões técnicas pertinentes antes de definir as consequências jurídicas da ocupação e de uma eventual indenização.
O AeroJota também acompanha outros episódios envolvendo a instituição, incluindo a liminar sobre voos de planador, concedida em abril de 2026.
A modernização do aeroporto e a preservação das atividades do Aeroclube continuam no centro de uma discussão que ultrapassa os limites da cidade.
Afinal, mais do que estabelecer o valor de hangares e construções, o processo poderá influenciar o futuro de uma instituição que participa da história da aviação brasileira desde 1940.
Crédito jornalístico: A informação sobre o valor de R$ 4,1 milhões foi divulgada pelo jornal Giro Marília. O AeroJota apresenta contextualização própria, baseada no histórico judicial e em reportagens anteriores sobre o caso.





