Publicação da FEBRAERO reúne alertas sobre aeroclubes, escassez de mecânicos e propostas para preservar a formação de pilotos no país.
O LEME quarta edição, publicada em outubro de 2026, reúne informações que ajudam a compreender os desafios enfrentados pelos aeroclubes brasileiros. Produzido pela Federação Brasileira dos Aeroclubes (FEBRAERO) e pela ESC AERO, o boletim apresenta entrevistas, artigos técnicos, discussões jurídicas e iniciativas voltadas à preservação da formação aeronáutica nacional.
Com 14 páginas e distribuição gratuita, a publicação dedica atenção especial às dificuldades enfrentadas por instituições históricas, algumas ameaçadas por ordens de desocupação, disputas administrativas e mudanças na infraestrutura aeroportuária.
Entre os destaques estão os aeroclubes de Canela, no Rio Grande do Sul, e Marília, no interior paulista, além de questões relacionadas à formação de mecânicos e à permanência dos aeroclubes em aeroportos públicos.

Aeroclubes de Canela e Marília enfrentam situações preocupantes
A situação dos aeroclubes brasileiros ocupa parte importante desta edição de O LEME.
Em Canela, a publicação aborda a disputa judicial envolvendo a permanência da instituição no aeroporto. Fundado em 1950, o aeroclube recebeu, em 23 de outubro, uma decisão da Justiça Federal determinando a desocupação de suas instalações até 14 de novembro de 2026.
O assunto também foi acompanhado pelo site AeroJota, cuja reportagem foi reproduzida parcialmente e creditada na página 7 do boletim.
Já em Marília, a FEBRAERO apresenta questionamentos sobre as obras realizadas pela concessionária Rede VOA e possíveis consequências para o funcionamento do aeroclube.
A publicação menciona documentos da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), relacionados ao Plano Diretor Aeroportuário, além de uma representação encaminhada ao Ministério Público do Estado de São Paulo em outubro.
Entrevista destaca dificuldades na formação de pilotos de planador
Na entrevista do mês, Jolando Gatto, presidente da FEBRAERO, conversa com Braucílio Foganholo Júnior, presidente do Aeroclube de Marília desde 2007.
Durante a entrevista, Braucílio relata dificuldades enfrentadas pela instituição e questiona a falta de políticas públicas voltadas ao fortalecimento dos aeroclubes.
Ele também menciona a situação das escolas de voo a vela de Marília, Bauru, Bebedouro e Rio Claro, apontando problemas regulatórios que, segundo sua avaliação, prejudicam a formação de novos pilotos.
O entrevistado defende incentivos à instrução aeronáutica, incluindo medidas capazes de reduzir os custos de combustível e facilitar o ingresso de jovens na aviação.
Falta de mecânicos aeronáuticos preocupa o setor
Outro destaque de O LEME é o artigo “Sem mecânico, a safra não decola”, assinado pelo engenheiro aeronáutico Fulvio Delicato.
O autor aborda a escassez de mecânicos de manutenção aeronáutica e seus possíveis reflexos na aviação agrícola brasileira.
Segundo os dados apresentados no artigo, o setor poderá enfrentar um déficit de aproximadamente 7 mil profissionais até 2030.
A análise relaciona a disponibilidade de mecânicos à continuidade das operações agrícolas, lembrando que aeronaves paradas por falta de manutenção podem comprometer atividades essenciais à produção.
O texto também chama atenção para a concentração geográfica das oficinas aeronáuticas e para a necessidade de ampliar a formação técnica especializada.

Permanência dos aeroclubes ganha espaço no debate jurídico
Um dos conteúdos mais aprofundados da edição ocupa três páginas e discute se a utilização gratuita de áreas aeroportuárias pelos aeroclubes representa um privilégio imobiliário ou um instrumento de política pública.
O artigo examina o papel histórico dessas instituições na formação de pilotos e apresenta argumentos relacionados ao Código Brasileiro de Aeronáutica.
Também aborda o Projeto de Lei nº 6.144/2025, apresentado pelo senador Marcos Pontes, que propõe medidas de proteção, reconhecimento e incentivo aos aeroclubes brasileiros.
A discussão considera tanto a importância da infraestrutura destinada ao ensino aeronáutico quanto os custos e as responsabilidades envolvidos na utilização de áreas públicas.
O LEME quarta edição amplia o debate sobre o futuro dos aeroclubes
A quarta edição também apresenta contribuições da FEBRAERO ao Programa Nacional de Formação e Capacitação de Profissionais de Aviação, além de informações sobre segurança aeroportuária e mudanças regulatórias.
Ao reunir diferentes temas em uma mesma publicação, O LEME procura ampliar a discussão sobre o papel dos aeroclubes na aviação brasileira.
Mais do que preservar hangares e aeronaves, o debate envolve a continuidade de instituições responsáveis pela formação de profissionais, pela prática de modalidades aerodesportivas e pela aproximação de novas gerações com a aviação.
A quarta edição de O LEME, referente a outubro de 2026, é distribuída gratuitamente pela FEBRAERO e pela ESC AERO.






