Drone perto de Guarulhos poderá ser neutralizado. Entenda o novo sistema antidrones do Aeroporto
O sistema antidrones no Aeroporto de Guarulhos começa a sair do papel depois de sucessivas ocorrências que interromperam pousos e decolagens em 2026. Mas a novidade vai além de simplesmente localizar uma pequena aeronave não tripulada no céu — e uma das capacidades previstas chama especialmente a atenção.
Há menos de um mês, o site AeroJota mostrou que sucessivas ocorrências já levantavam uma pergunta inevitável: até quando a principal resposta seria interromper as operações e esperar o drone desaparecer?
Agora surgiu uma resposta — e ela poderá mudar a forma como o maior aeroporto do Brasil enfrenta esse tipo de ameaça.

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O que muda com o sistema antidrones no Aeroporto de Guarulhos?
O Ministério de Portos e Aeroportos encaminhou à ANAC, em 11 de setembro, as diretrizes para implantação de um sistema capaz de detectar, monitorar, mitigar e neutralizar drones nas proximidades do Aeroporto Internacional de Guarulhos.
A decisão muda principalmente uma questão: em vez de apenas interromper pousos e decolagens diante da presença de um drone, Guarulhos deverá ganhar recursos tecnológicos para identificar e responder à ameaça.
Quatro ocorrências em 2026 ajudaram a acelerar a discussão
O AeroJota mostrou em agosto que Guarulhos havia registrado ocorrências envolvendo drones em 26 de janeiro, 15 de fevereiro, 12 de maio e 19 de agosto.
Na última delas, segundo os dados publicados à época, 20 voos foram alternados, oito cancelados e aproximadamente 4,9 mil passageiros sofreram impactos. A estimativa inicial da ABEAR apontou R$ 1,9 milhão em despesas das companhias apenas com assistência aos passageiros.
Em fevereiro, o site AeroJota também acompanhou uma ocorrência que interrompeu as operações durante o domingo de Carnaval e provocou dezenas de alternâncias.
Mas o que significa neutralizar um drone?
Este talvez seja o ponto mais interessante da decisão.
Um sistema antidrones, conhecido internacionalmente como C-UAS (Counter-Uncrewed Aircraft Systems), não serve apenas para enxergar um pequeno equipamento no céu. Dependendo da tecnologia adotada, sistemas desse tipo podem detectar, identificar e acompanhar a aeronave não tripulada e fornecer meios para responder à ameaça.
Mas “neutralizar” não significa necessariamente derrubar fisicamente o drone.
O método dependerá do equipamento escolhido, das condições operacionais e, principalmente, das autorizações envolvidas. Em um aeroporto internacional, qualquer interferência deliberada em radiofrequência exige cuidados especiais para não criar outro problema enquanto se tenta solucionar o primeiro.
Por isso, as diretrizes estabelecem que os equipamentos utilizados em Guarulhos deverão ser homologados pela Anatel. A agência explica que a homologação de equipamentos de radiofrequência busca justamente prevenir interferências prejudiciais a outros serviços.
A partir daí entram tecnologia C-UAS, interferência de sinal, Anatel, DECEA, Polícia Federal, quem opera, quem autoriza e a possibilidade de levar a solução para outros aeroportos.

Quem vai operar o sistema em Guarulhos?
A concessionária responsável pelo aeroporto ficará encarregada da aquisição, implantação e operação das capacidades de detecção, monitoramento, mitigação e neutralização. Também caberá a ela a primeira resposta e a comunicação às autoridades.
A implantação, entretanto, envolverá ANAC, Polícia Federal, DECEA, Receita Federal e Anatel.
O DECEA deverá participar da definição das áreas de proteção e dos procedimentos para eventual suspensão e retomada das operações aéreas.
Essa divisão é importante porque a presença de um drone próximo às trajetórias de pouso e decolagem envolve simultaneamente segurança aeroportuária, uso do espaço aéreo, telecomunicações e segurança pública.
Polícia Federal já comprou sistemas antidrones
A tecnologia não é uma novidade absoluta para o governo brasileiro.
A própria Polícia Federal mantém contratos para aquisição de sistemas C-UAS. Dois deles, assinados em julho de 2026, têm valores de R$ 2,298 milhões e R$ 1,532 milhão, com vigência prevista até 2031.
Em outro contrato, firmado em 2025 por R$ 1,532 milhão, a documentação da PF identifica expressamente a aquisição de quatro equipamentos do tipo jammer antidrones.
Isso mostra que o Brasil já dispõe desse tipo de recurso. O desafio em Guarulhos será integrá-lo a um ambiente aeroportuário de grande movimento e com procedimentos específicos de segurança.

Guarulhos poderá abrir caminho para outros aeroportos
Guarulhos foi escolhido por sua importância para a malha aérea brasileira e pelo histórico recente de ocorrências com drones.
A ANAC deverá realizar uma avaliação de risco e de custo-benefício, ouvindo também a Polícia Federal e o DECEA. Depois disso, a experiência poderá servir de referência para decidir se sistemas semelhantes deverão ser exigidos em outros aeroportos brasileiros.
Entre os critérios previstos estão movimento de aeronaves e passageiros, importância do aeroporto para a malha nacional, histórico de ocorrências e características do entorno.
Enquanto isso, as regras para quem opera drones legalmente no Brasil também mudaram. O novo RBAC 100, publicado pela ANAC em junho, passou a classificar as operações conforme o nível de risco em três categorias: aberta, específica e certificada.
Para Guarulhos, porém, a questão agora é outra. Depois de sucessivas interrupções em 2026, o maior aeroporto brasileiro começa a preparar uma resposta que pretende ir além de simplesmente fechar as pistas e esperar o drone desaparecer.






