Spitfire, o puro-sangue.(Cmte.José Passarelli)

Jota A
19 de novembro de 2023
Spitfire, o avião de caça Britânico usado na 2ª Guerra Mundial.
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“O engenheiro e o avião”

‘Spitfire: o puro-sangue’

Como todos os aviões, ele tinha um odor peculiar, produzido pela mistura dos metais, tecidos, tintas, óleo e combustível, que o piloto sempre sentia, ao penetrar em sua cabina de comando.

Entra-se nele pela esquerda – o lado em que os cavaleiros montam em seus cavalos. Primeiro, o piloto sobe na traseira da asa, situada uns 60 cm do solo, entrando na cabina de comando com o pé direito. Abre a capota de plástico toda para trás e baixa-se parte da fuselagem situada ao lado da cadeira do piloto, presa à estrutura por dobradiças. O paraquedas, que o piloto traz pendurado às costas, passa a ser sua almofada, ao sentar-se no pequeno banco dobradiço. Este é colocado em posição um pouco elevada, até que o avião levante voo. 

Acomodado na cabina, o piloto verifica que ela é mais confortável do que pensava, e que os instrumentos e controles têm uma distribuição sensata e conveniente.

O que o piloto tem que fazer na cabina, antes de ligar o motor Merlin e dar partida, é bem simples: liga o tubo de oxigênio à máscara facial; liga o rádio, que é sintonizado no canal adequado; comprime totalmente os freios; a manete é levada à frente cerca de um terço; bombeia uma ou duas vezes o injetor (primer), para introduzir gasolina no motor, e faz o sinal de polegar para cima para o mecânico, que está junto ao grupo gerador externo. 

Os fios estão ligados ao arranque do avião, o que poupa a bateria do aparelho para uma partida de emergência que possa a vir ser necessária. 

Uma vez ligado o motor, repõe a manete em marcha lenta (idling position); os calços das rodas são retirados e, acelerando um pouco, o piloto inicia o táxi e leva o ‘Spitifire’ para a posição de decolagem. 

Durante a guerra, os pilotos usavam um método que lhes possibilitava aplicar com segurança a série de cheques (verificações) que tinham de realizar para decolar, usando as letras: ‘BTFCPPUR’- Brakes, trims, flaps, contacts, petrol, pressures, undercarriage e radiator (freios, compensadores, flapes, magnetos, gasolina, pressões, trem de pouso e radiador). 

Depois de alguma prática, as verificações e os ajustes são feitos quase que  automaticamente.Reginald Mitchell projetou o ‘Spitfire’ para ser superior a qualquer caça da época, mas também cuidou para que se pudesse pilotá-lo com segurança.

* Wing Leader, J. E. Johnson (Chato and Windus, Londres)

Coluna de JPassarelli     

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Cmte. José Passarelli 

Engenheiro Cívil
Professor Universitário
Instrutor de Navegação Aérea
Teoria de Voo
Aerodinâmica em Voo em Escolas  de Aviação Civil
Escreve voluntariamente para o site AeroJota