China Eastern opera rota de quase 29 horas e desafia limites do longo curso
O voo comercial direto mais longo do mundo voltou a chamar atenção porque transforma uma viagem aérea em uma experiência de quase um dia inteiro. Para muitos passageiros, uma rota longa costuma significar algumas horas extras dentro da cabine, uma refeição a mais e talvez uma conexão cansativa em algum aeroporto movimentado.
Entretanto, essa nova operação começou a desafiar até mesmo a percepção que muita gente possui sobre distância, tempo de voo e limites da aviação moderna. Porém, para companhias aéreas e fabricantes, esse tipo de rota representa algo muito maior do que apenas estabelecer um novo recorde.

Muito além de voar mais horas
Na aviação comercial existe uma disputa silenciosa entre empresas para conectar mercados cada vez mais distantes de forma eficiente. Além disso, reduzir escalas, aproximar continentes e criar novas oportunidades comerciais pode representar uma vantagem importante para as companhias.
Durante anos, voos ultralongos chamaram atenção por ultrapassar barreiras que pareciam praticamente impossíveis. Entretanto, alcançar distâncias extremas cria novos desafios relacionados ao consumo de combustível, fadiga das tripulações, conforto dos passageiros e limites operacionais das próprias aeronaves.
Foi justamente nesse cenário que uma nova rota passou a despertar interesse no setor.
O que existe por trás do voo de quase 29 horas
A companhia aérea chinesa China Eastern iniciou uma operação ligando Xangai, na China, a Buenos Aires, na Argentina, utilizando uma parada em Auckland, na Nova Zelândia. Apesar da escala, a operação é classificada como um voo direto porque mantém o mesmo número de voo e a mesma aeronave durante todo o trajeto.
A viagem cobre aproximadamente 20 mil quilômetros e pode chegar a quase 29 horas no sentido Buenos Aires–Xangai. A diferença ocorre principalmente devido aos ventos contrários encontrados durante parte da rota.
A operação utiliza aeronaves Boeing 777-300ER e acontece duas vezes por semana. O trajeto entre Xangai e Buenos Aires costuma durar cerca de 25 horas e meia, enquanto o retorno pode se aproximar das 29 horas totais.
O detalhe que pode confundir muitos passageiros
Muita gente associou a operação ao maior voo sem escalas do mundo. Entretanto, existe uma diferença importante entre voo direto e voo sem escalas.
Um voo sem escalas sai do aeroporto de origem e pousa no destino final sem qualquer parada intermediária. Já um voo direto pode realizar uma parada técnica ou comercial durante a rota, desde que passageiros permaneçam vinculados ao mesmo voo e à mesma aeronave.
Hoje, o título de voo comercial sem escalas mais longo do mundo continua pertencendo à rota entre Singapura e Nova York, operada pela Singapore Airlines com aeronaves Airbus A350-900ULR. Dependendo das condições operacionais e dos ventos em rota, a viagem costuma durar aproximadamente 18 horas e 40 minutos a 19 horas.
Já a operação da China Eastern entre Xangai, Auckland e Buenos Aires pode alcançar aproximadamente 25 horas e 30 minutos no sentido China–Argentina e chegar a quase 29 horas no trajeto de retorno, principalmente devido aos ventos contrários encontrados ao longo do percurso.
O futuro parece apontar para voos ainda mais extremos
As empresas aéreas continuam estudando formas de reduzir o tempo total de viagem entre regiões distantes do planeta. Além disso, projetos como o Project Sunrise da Qantas pretendem criar ligações ainda maiores entre cidades como Sydney, Londres e Nova York.
O que parecia impossível há alguns anos já está acontecendo. Agora, a pergunta talvez seja outra: até quantas horas um passageiro estaria disposto a permanecer dentro de um avião?
Fontes: China Eastern Airlines, Flightradar24, Auckland Airport, Shanghai Government.





