Restrições no Aeroporto Santos Dumont podem tirar R$ 1 bilhão da Infraero até 2030

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Jota A
22 de setembro de 2026

As restrições no Aeroporto Santos Dumont voltaram ao centro de uma discussão que vai muito além da quantidade de voos entre o Rio de Janeiro e outras cidades brasileiras. Desta vez, a preocupação está no caixa da Infraero — e o impacto projetado pode chegar à casa do bilhão de reais.

O Tribunal de Contas da União (TCU) comunicou ao governo os possíveis efeitos financeiros da manutenção das restrições operacionais no Santos Dumont. Segundo análise apresentada no processo que acompanha a situação econômico-financeira da Infraero, a limitação pode retirar aproximadamente R$ 1 bilhão das receitas da estatal até 2030.

A questão ganha importância porque o Santos Dumont permanece sob administração da Infraero e representa uma fonte relevante de receita para uma empresa que hoje administra uma rede muito diferente daquela existente antes das grandes rodadas de concessões aeroportuárias.

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Apesar do nome, a principal restrição em discussão não significa que determinados tipos de aeronaves estejam proibidos de operar no aeroporto.

Desde janeiro de 2024, o Santos Dumont opera com uma política que limita sua movimentação a aproximadamente 6,5 milhões de passageiros por ano. A medida substituiu uma proposta anterior que restringia os voos a destinos dentro de um raio de 400 quilômetros do aeroporto.

Na prática, o objetivo foi redistribuir parte da demanda aérea do Rio de Janeiro e fortalecer as operações do Aeroporto Internacional do Galeão.

A estratégia produziu efeitos também nas contas do Santos Dumont. Documentos analisados pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) registraram que a Infraero relatou uma redução superior a 48% na receita geral do aeroporto no primeiro trimestre de 2024, na comparação com o mesmo período de 2023.

Havia previsão de flexibilização gradual dessa limitação. Entretanto, em fevereiro de 2026, o Governo Federal decidiu revogar a flexibilização prevista e manter as restrições operacionais no Santos Dumont.

É justamente a continuidade desse cenário que agora preocupa o TCU.

Segundo informações do processo, o impacto acumulado das restrições no Aeroporto Santos Dumont poderá representar cerca de R$ 1 bilhão a menos para a Infraero até 2030. O Tribunal decidiu comunicar a situação ao Ministério de Portos e Aeroportos e à Secretaria do Tesouro Nacional.

A comunicação reforça que o tema deixou de envolver apenas a operação do aeroporto e passou a alcançar diretamente o planejamento financeiro da Infraero para os próximos anos.

O alerta aparece poucos dias depois do site AeroJota mostrar que o próprio TCU identificou uma situação financeira preocupante na estatal. A Infraero acumulou aproximadamente R$ 1,3 bilhão em resultados negativos em dois anos, enquanto passou a administrar uma rede menor de aeroportos sem redução equivalente de sua estrutura.

Nesse cenário, qualquer redução prolongada das receitas do Santos Dumont passa a ter peso ainda maior.

A limitação do Santos Dumont também está relacionada ao modelo econômico definido para o Galeão.

O acordo aprovado pelo TCU para a concessão do aeroporto internacional estabeleceu mecanismo de compensação financeira caso sejam mantidas restrições à movimentação no Santos Dumont. A lógica considera que limitar um aeroporto pode gerar benefício econômico ao outro ao deslocar parte da demanda.

O problema, agora apontado pelo Tribunal, está no outro lado dessa equação.

Enquanto a restrição ajuda a direcionar passageiros ao Galeão, ela reduz o potencial de geração de receita de um dos principais aeroportos ainda administrados pela Infraero.

Assim, uma decisão criada dentro da estratégia para reorganizar o sistema aeroportuário do Rio de Janeiro passou também a integrar uma discussão maior: como garantir a sustentabilidade financeira da Infraero nos próximos anos.

Jota A, é Veterano da Força Aérea Brasileira, Aviador, Motociclista e Empresário. Escreve sobre aviação há 10 anos.