Aeroporto de Marília sem novo terminal de passageiros coloca Rede VOA e Aeroclube no centro da disputa

Jota

4 de maio de 2026

Aeroporto de Marília_Imagem ilustrativa 1

O Aeroporto de Marília sem novo terminal de passageiros volta ao centro da discussão e reacende dúvidas sobre a modernização prometida pela Rede VOA. A mudança de cenário envolve obras antes previstas no planejamento aeroportuário, fiscalização da ANAC e o futuro do Aeroclube de Marília.

A cidade agora cobra respostas sobre o que realmente será entregue no aeroporto, especialmente porque o terminal atual já enfrenta questionamentos técnicos e estruturais.

Aeroporto de Marília_Imagem ilustrativa
Aeroporto de Marília_Imagem ilustrativa

A Rede VOA informou à ANAC que não pretende construir um novo terminal de passageiros no Aeroporto de Marília. Além disso, a empresa descartou novas pistas, novo pátio e novas taxiways, estruturas que apareciam no planejamento anterior do aeroporto.

Segundo a imprensa local, a empresa enviou a resposta após consulta da própria ANAC sobre o cumprimento do Plano Diretor. Portanto, o caso deixa de envolver apenas uma promessa local e passa a tocar diretamente a fiscalização regulatória sobre a concessão.

Em janeiro de 2025, a Rede VOA apresentou publicamente um projeto de reforma para o terminal de passageiros. Na ocasião, a empresa informou que iniciaria a primeira fase das obras no segundo semestre daquele ano, com previsão de entrega para março de 2026.

O projeto previa boulevard com espaços comerciais e de convivência, ampliação da área de espera, embarque e desembarque, além de ampliação do pátio de manobras. A Prefeitura de Marília também divulgou que o terminal ganharia 500 m² e dobraria o tamanho atual.

O ponto mais sensível aparece na chamada segunda fase. Segundo o ofício divulgado pela imprensa local, a empresa condicionou a ampliação do terminal existente à desocupação da área hoje ocupada pelos hangares do Aeroclube de Marília.

Esse trecho exige análise cuidadosa. A presença do Aeroclube não deveria virar obstáculo automático ao desenvolvimento do aeroporto, especialmente porque a entidade ocupa uma pequena fração da área total do sítio aeroportuário. Além disso, o Aeroclube de Marília não precisa ser tratado como impedimento à modernização, já que um planejamento equilibrado pode compatibilizar infraestrutura, aviação geral, formação aeronáutica e preservação histórica.

Enquanto o debate sobre obras avança lentamente, o terminal atual segue sob questionamento. Em abril, um laudo técnico recomendou a interdição imediata do terminal de embarque e desembarque do Aeroporto Estadual Frank Miloye Milenkovich.

O parecer citou fissuras, trincas, falhas de segurança contra incêndio, problemas de acessibilidade e risco de colapso parcial. A Rede VOA, por sua vez, informou que realiza manutenções periódicas provisórias enquanto a reforma segue sob análise judicial.

Esse cenário reforça a cobrança por respostas objetivas. Afinal, se o terminal atual apresenta problemas e o novo terminal foi descartado, Marília precisa saber qual será a solução definitiva para passageiros, operadores e usuários do aeroporto.

A disputa não deveria ser tratada como uma escolha entre aeroporto e Aeroclube. O verdadeiro desafio está em modernizar o Aeroporto de Marília sem extinguir parte importante da história aeronáutica da cidade.

A Prefeitura chegou a anunciar uma conciliação em outubro de 2025, com previsão de doação de uma nova área ao Aeroclube e reorganização do tombamento histórico. A medida buscava liberar espaço para investimentos, mantendo a entidade próxima ao aeroporto.

Portanto, existe margem para solução institucional. O que falta é clareza sobre prazos, obras, responsabilidades e garantias. Marília precisa de um aeroporto melhor, mas também precisa preservar a formação aeronáutica e a memória construída ao longo de décadas.

O Aeroporto de Marília pode perder obras prometidas justamente no momento em que a cidade cobra melhorias urgentes. A mudança de estratégia da concessionária, somada ao estado do terminal e à disputa com o Aeroclube, exige posicionamento claro da ANAC, do poder concedente e da própria Rede VOA.

A pergunta central não é se Marília precisa de um aeroporto melhor. Isso parece evidente. A pergunta é outra: por que estruturas antes apresentadas como necessárias agora aparecem descartadas, enquanto o Aeroclube de Marília segue colocado no centro da pressão?

Sem resposta transparente, o risco é que a cidade fique sem novo terminal, sem novas estruturas e ainda veja uma instituição aeronáutica histórica ser tratada como problema. Marília merece modernização real, não apenas uma troca de promessa por justificativa.