INVOZ manifesta apoio à FEBRAERO e alerta para fechamento de aeroclubes
A mobilização em defesa dos aeroclubes brasileiros ganhou um novo apoio de peso. Desta vez, a manifestação parte de uma entidade diretamente ligada à história da indústria aeronáutica nacional e ao nome de um dos personagens mais importantes da aviação brasileira.
O INVOZ – Integrando Vozes para o Futuro divulgou uma manifestação oficial de apoio à Federação Brasileira de Aeroclubes (FEBRAERO) e à manutenção das atividades dos aeroclubes no país.
O documento, datado de 14 de agosto de 2026, foi encaminhado ao presidente da FEBRAERO, Jolando Gatto. Nele, a entidade demonstra preocupação com as tentativas de interrupção e fechamento de aeroclubes em diferentes regiões brasileiras.

Uma entidade criada por Ozires Silva
O posicionamento ganha relevância também pela própria origem do INVOZ. A associação sem fins lucrativos foi fundada em 2017 pelo engenheiro Ozires Silva, fundador e ex-presidente da Embraer.
Segundo a entidade, sua atuação está baseada em quatro pilares: educação, empreendedorismo, cultura aeronáutica e inovação. O INVOZ reúne pessoas e empresas com diferentes experiências profissionais para compartilhar conhecimento e desenvolver iniciativas voltadas à sociedade.
A ligação de Ozires Silva com o tema abordado no documento, entretanto, começou muito antes da criação da Embraer.
O próprio INVOZ lembra que o engenheiro iniciou sua trajetória profissional no Aeroclube de Bauru. Dessa forma, a instituição utiliza a história de seu fundador como um exemplo da participação dos aeroclubes na formação de profissionais que posteriormente tiveram papel relevante no desenvolvimento da aviação brasileira.
O documento também menciona o astronauta e senador Marcos Pontes, cuja trajetória igualmente passou pelo ambiente dos aeroclubes.
Discussão sobre formação aeronáutica já vinha sendo acompanhada
A manifestação divulgada agora não representa o primeiro envolvimento do INVOZ com o debate sobre formação profissional na aviação.
Em novembro de 2025, a entidade apoiou a ESC AERO na realização do 1º Simpósio – Desafios da Formação Aeronáutica no Brasil (1º DFAB), realizado em São José dos Campos.
O encontro reuniu representantes de aeroclubes, Centros de Instrução de Aviação Civil (CIACs) e escolas de formação. Também participaram autoridades civis e militares ligadas ao setor aeronáutico.
Na ocasião, foram discutidos desafios e perspectivas para a formação de profissionais da aviação no Brasil.
Ao recuperar esse evento na manifestação enviada à FEBRAERO, o INVOZ relaciona a situação dos aeroclubes a uma discussão mais ampla: como garantir a continuidade da formação aeronáutica brasileira nos próximos anos.
Bebedouro, Canela e Marília aparecem no documento
A nota também apresenta uma preocupação direta com a situação atual dessas instituições.
Segundo o INVOZ, aproximadamente 20 aeroclubes já encerraram suas atividades, enquanto outros enfrentam dificuldades e precisaram recorrer a medidas judiciais para buscar a preservação de seus direitos.
Entre os exemplos citados nominalmente estão Bebedouro, Canela e Marília.
Os três casos ajudam a mostrar que a discussão não está concentrada em apenas uma cidade ou região. Embora cada aeroclube tenha uma situação própria, os conflitos envolvendo permanência, infraestrutura e continuidade das atividades passaram a chamar a atenção de entidades ligadas ao setor.
O site AeroJota vem acompanhando alguns desses casos, incluindo a disputa envolvendo o Aeroclube de Canela e a situação enfrentada pelo Aeroclube de Marília.

Não são apenas pilotos
Outro ponto importante da manifestação é que o INVOZ amplia a discussão para além da formação de pilotos.
A entidade destaca que os aeroclubes participam também da formação de mecânicos de manutenção aeronáutica e outros profissionais que integram o setor.
Esse aspecto é utilizado para relacionar a continuidade dessas instituições a um problema que ultrapassa os próprios aeroclubes: a necessidade de profissionais qualificados para sustentar o crescimento e a renovação da mão de obra da aviação.
O INVOZ afirma que essa importância se torna ainda mais evidente diante das recorrentes notícias sobre a escassez mundial de profissionais do setor aeronáutico, cenário que, segundo a entidade, poderá afetar o futuro da aviação brasileira.
INVOZ formaliza apoio à FEBRAERO
Depois de apresentar esses argumentos, o INVOZ formaliza sua solidariedade às entidades que defendem os aeroclubes. Em especial, manifesta apoio à Federação Brasileira de Aeroclubes (FEBRAERO).
Para a associação, manutenção, fomento e desenvolvimento dos aeroclubes são fundamentais para a continuidade da instrução aeronáutica no Brasil.
Ao mesmo tempo, o documento destaca o valor histórico dessas instituições. Afinal, os aeroclubes também participaram da construção da aviação brasileira ao longo de décadas.
Por fim, o INVOZ resume seu posicionamento em uma frase:
“Sem aeroclubes, não há formação de pilotos; sem pilotos, não há futuro para a aviação brasileira.”
Neide Pereira Pinto, presidente executiva do INVOZ, e Emilio Kazunoli Matsuo, presidente do Conselho Deliberativo, assinam digitalmente o documento.
Assim, a manifestação acrescenta uma nova voz ao debate nacional sobre os aeroclubes. Além disso, o apoio parte de uma entidade que mantém a educação e a cultura aeronáutica entre seus principais pilares.
Para os aeroclubes, portanto, trata-se de mais um apoio público à importância dessas instituições para a formação profissional e para o futuro da aviação brasileira.






