Documento da FEBRAERO revela que 46 aeroclubes brasileiros enfrentam despejo, fechamento ou disputas judiciais

Jota

12 de julho de 2026

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Enquanto o Brasil discute a necessidade de formar mais pilotos, ampliar a aviação regional e fortalecer a infraestrutura aeroportuária, 46 aeroclubes brasileiros enfrentam despejo e fechamento. O problema ameaça justamente algumas das instituições responsáveis pelo início da formação de profissionais para a aviação civil.

Além disso, um levantamento da Federação Brasileira dos Aeroclubes (FEBRAERO), obtido pelo site AeroJota, mostra que essas instituições enfrentavam, até maio de 2026, situações críticas envolvendo despejo, encerramento, redução de atividades ou disputas judiciais.

De acordo com a Nota Técnica nº 003/2026, assinada pelo presidente da FEBRAERO, Jolando Gatto Netto, 22 aeroclubes já haviam sido despejados ou encerrado suas atividades. Enquanto isso, outros 24 permaneciam ameaçados, tentando garantir sua continuidade por meio de negociações, processos judiciais ou outras medidas administrativas.

Embora cada caso tenha características próprias, o documento revela que o problema deixou de atingir apenas uma ou outra cidade. Agora, a situação representa uma preocupação nacional para a aviação civil brasileira.

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Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, um aeroclube não funciona apenas como um local onde aviões permanecem estacionados. Na prática, essas instituições desempenham um papel essencial na formação de pilotos privados, pilotos comerciais, instrutores de voo, mecânicos de manutenção aeronáutica, paraquedistas e diversos profissionais que abastecem o setor aéreo brasileiro.

Por isso, quando um aeroclube encerra suas atividades, a perda costuma ser permanente. Em muitos casos, a área ocupada passa a receber outro tipo de utilização. Depois disso, dificilmente o local volta a abrigar uma escola de aviação.

Guardadas as devidas proporções, a situação pode ser comparada ao fechamento da única escola de uma cidade para dar lugar a outro empreendimento. Assim, depois que a estrutura desaparece, recuperar aquele espaço para o ensino torna-se extremamente difícil.

Além da formação profissional, muitos aeroclubes preservam parte importante da memória da aviação brasileira. Também promovem atividades esportivas, desenvolvem ações sociais e aproximam a população do ambiente aeronáutico.

A existência dos aeroclubes também possui respaldo na legislação federal, que reconhece essas entidades como instituições voltadas ao ensino aeronáutico e ao desenvolvimento da aviação civil.

Entretanto, na avaliação da FEBRAERO, esse reconhecimento nem sempre tem sido suficiente para impedir despejos, encerramentos de atividades ou conflitos envolvendo áreas aeroportuárias administradas por diferentes órgãos públicos e concessionárias.

Segundo a entidade, preservar os aeroclubes significa preservar a própria capacidade do Brasil de formar novos profissionais. Ao mesmo tempo, o setor continua crescendo e enfrentando escassez de mão de obra qualificada.

A Nota Técnica organiza os aeroclubes em diferentes grupos, conforme a situação enfrentada por cada instituição. Dessa maneira, o levantamento permite entender que a crise não produz o mesmo resultado em todas as cidades.

Entre eles estão:

  • Aeroclubes despejados e extintos;
  • Aeroclubes despejados e atualmente inativos;
  • Aeroclubes despejados e posteriormente realocados;
  • Aeroclubes reduzidos e ameaçados;
  • Aeroclubes que lutam na Justiça;
  • Aeroclubes que ainda tentam negociar sua permanência.

Portanto, nem todos os casos tiveram o mesmo desfecho. Enquanto algumas instituições encerraram definitivamente suas atividades, outras ainda buscam alternativas para continuar operando.

Além disso, três aeroclubes conseguiram retomar suas atividades após o despejo, embora em novas áreas. Por outro lado, algumas entidades permanecem reduzidas, em litígio ou dependem de negociações para evitar a interrupção completa de suas operações.

Assim, a relação da FEBRAERO mostra diferentes etapas de um mesmo problema. Em alguns municípios, o aeroclube já desapareceu. Em outros casos, a instituição ainda luta para não seguir o mesmo caminho.

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A Nota Técnica nº 003/2026 relaciona os seguintes aeroclubes:

  • Aeroclube de Limeira (SP)
  • Aeroclube de Jundiaí APP (SP)
  • Aeroclube de Araraquara (SP)
  • Aeroclube de Batatais (SP)
  • Aeroclube de Guaratinguetá (SP)
  • Aeroclube de Taubaté (SP)
  • Aeroclube de Ourinhos (SP)
  • Aeroclube de Sorocaba (SP)
  • Aeroclube de Maricá (RJ)
  • Aeroclube de Nova Iguaçu (RJ)
  • Aeroclube do Brasil (RJ)
  • Aeroclube de Resende (RJ)
  • Aeroclube de Minas Gerais (MG)
  • Aeroclube de Rio Negrinho (SC)
  • Aeroclube de Mossoró (RN)
  • Aeroclube do Rio Grande do Norte (RN)
  • Aeroclube do Amazonas (AM)
  • Aeroclube do Pará (PA)
  • Aeroclube de Rondônia (RO)
  • Aeroclube de Guarapuava (PR)
  • Aeroclube do Recife (PE)
  • Aeroclube da Paraíba (PB)
  • Aeroclube de Bragança Paulista (SP)
  • Aeroclube de São Paulo (SP)
  • Aeroclube de Itapeva (SP)
  • Aeroclube de Marília (SP)
  • Aeroclube de Pirassununga (SP)
  • Aeroclube de Canela (RS)
  • Aeroclube de Uberlândia (MG)
  • Aeroclube de Brasília (DF)
  • Aeroclube de São José dos Campos (SP)
  • Aeroclube de Bauru (SP)
  • Aeroclube de Franca (SP)
  • Aeroclube de Rio Claro (SP)
  • Aeroclube de Santa Maria (RS)
  • Aeroclube de Garibaldi (RS)
  • Aeroclube Albatroz, de Osório (RS)
  • Aeroclube de Torres (RS)
  • Aeroclube de Uberaba (MG)
  • Aeroclube do Paraná (PR)
  • Aeroclube de Joinville (SC)
  • Aeroclube de Ariquemes (RO).

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Entre as instituições citadas aparecem alguns dos aeroclubes mais tradicionais do país.

O Aeroclube do Brasil, fundado em 1911, é considerado a instituição aeronáutica mais antiga do Brasil e uma das mais antigas do mundo ainda existentes, também foi extinto.

Além dele, figuram na relação o Aeroclube de São Paulo, criado em 1931, e o Aeroclube de Minas Gerais, fundado em 1938. Essas entidades ajudaram a formar milhares de pilotos ao longo de décadas. Também participaram diretamente do desenvolvimento da aviação civil brasileira.

Por outro lado, a lista inclui aeroclubes criados em décadas mais recentes. Isso mostra que o problema não atinge apenas instituições centenárias, mas diferentes gerações de escolas de aviação espalhadas pelo país.

Mais do que apresentar uma relação de nomes, a Nota Técnica da FEBRAERO chama atenção para um cenário que preocupa dirigentes de aeroclubes, instrutores, pilotos e profissionais ligados à aviação.

Em diversos casos acompanhados pela FEBRAERO, os conflitos envolvem áreas aeroportuárias administradas pela Infraero ou por concessionárias privadas. Segundo a entidade, algumas disputas surgem após investimentos realizados pelos próprios aeroclubes ao longo de 40, 50, 70 ou até mais de 80 anos, com a construção de hangares, salas de aula, oficinas e outras instalações que passaram a integrar a infraestrutura dos aeroclubes.

Além disso, a FEBRAERO sustenta que existem situações em que essas áreas passam a despertar interesse comercial. Nesses casos, os aeroclubes enfrentariam cobranças de aluguéis de suas proprias instalações considerados elevados ou pedidos de desocupação para abrir espaço a novos empreendimentos capazes de gerar maior retorno financeiro aos administradores aeroportuários.

A entidade afirma, contudo, que esse cenário não impediria a convivência entre aeroclubes, Infraero e concessionárias. Na avaliação da federação, é possível preservar as escolas de aviação e, ao mesmo tempo, desenvolver projetos comerciais nos aeroportos, desde que haja diálogo e reconhecimento da importância dessas instituições para a formação de novos profissionais.

Por fim, o documento expõe um problema que não pode mais ser tratado como uma sucessão de casos isolados. A perda de aeroclubes compromete a formação de novos profissionais, elimina patrimônio histórico e reduz a presença da aviação em cidades que dificilmente conseguirão reconstruir estruturas semelhantes no futuro.