Museu Aeroespacial Paulista poderá receber históricos caças Saab Draken e Viggen da Suécia

Saab 35 e 37_Imagem ilustrativa
Jota A
2 de agosto de 2026

O Museu Aeroespacial Paulista poderá receber dois históricos caças Saab da Suécia. Segundo o diretor do MAPA, a Força Aérea Sueca prometeu enviar um Saab 35 Draken e um Saab 37 Viggen ao Brasil. Entretanto, as autoridades suecas ainda não divulgaram detalhes da transferência.

O diretor do MAPA, major-brigadeiro do ar Rodrigo Fernandes Santos, revelou a possível chegada dos caças. Em entrevista publicada pelo UOL em 11 de julho de 2026, ele afirmou que o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, conversou com representantes da Força Aérea Sueca.

Segundo o diretor, os suecos prometeram disponibilizar ao museu brasileiro “um Draken e um Viggen”. A declaração confirma a existência das tratativas. No entanto, ela ainda não comprova a conclusão da transferência.

Saab-37-Viggen_Imagem-SAAB
Saab-37-Viggen_Imagem-SAAB

Até o momento, a Força Aérea Sueca, o governo da Suécia e o Flygvapenmuseum não divulgaram detalhes sobre o envio das aeronaves ao Brasil.

Além disso, nenhuma dessas instituições informou os números de série, as versões escolhidas ou o estado de conservação dos dois aviões. Também não existe um cronograma público para o transporte até o Aeroporto Campo de Marte.

Outro ponto permanece indefinido: a modalidade da transferência. Ainda não se sabe se a Suécia entregará definitivamente os caças ao patrimônio brasileiro ou se manterá a propriedade das aeronaves.

Nesse segundo cenário, os aviões poderiam chegar por meio de cessão temporária, empréstimo museológico ou instrumento semelhante ao comodato. Assim, o MAPA Museu Aeroespacial Paulista poderia expor os caças por um período determinado, enquanto a instituição sueca manteria a propriedade.

Portanto, ainda não é possível afirmar que a Suécia tenha formalizado uma doação.

A declaração do major-brigadeiro Rodrigo Fernandes Santos menciona que os dois aviões viriam do “museu deles”. Porém, ele não identificou oficialmente a instituição responsável pelas aeronaves.

A principal referência do país é o Flygvapenmuseum, o Museu da Força Aérea Sueca, localizado em Linköping. Seu catálogo público reúne diversos exemplares do Draken e do Viggen, incluindo versões de caça, treinamento e reconhecimento.

Entre as aeronaves preservadas estão diferentes variantes do J 35 Draken e do JA 37 Viggen. O acervo também mantém protótipos e versões usadas em missões de reconhecimento.

Entretanto, o catálogo não permite identificar quais exemplares poderão vir ao Brasil. Além do Flygvapenmuseum, a Suécia possui outros museus, associações históricas e células preservadas em antigas unidades militares.

Por isso, qualquer indicação de matrícula, versão ou número de série seria apenas especulação neste momento.

O Saab 35 Draken realizou seu primeiro voo em 25 de outubro de 1955. Desde então, a aeronave ganhou reconhecimento pelo desenho de sua asa em duplo delta, uma de suas características mais marcantes.

Segundo a Saab, o Draken se tornou o primeiro caça produzido em série no mundo com essa configuração. Além disso, foi o primeiro avião sueco capaz de atingir duas vezes a velocidade do som.

A Força Aérea Sueca operou mais de 500 exemplares entre 1960 e 1998. Posteriormente, Dinamarca, Finlândia e Áustria também utilizaram o modelo.

O desenvolvimento do Draken respondeu às necessidades da Suécia durante a Guerra Fria. O país buscava um caça rápido, capaz de interceptar ameaças e atuar dentro de uma estrutura de defesa dispersa.

O Saab 37 Viggen representou a geração seguinte. A aeronave incorporou asas em delta, superfícies dianteiras do tipo canard e soluções voltadas para operações em pistas curtas.

Essa capacidade fazia parte da estratégia sueca de distribuir seus caças por diferentes bases e trechos rodoviários. Assim, a aviação militar poderia continuar operando mesmo após ataques contra os principais aeroportos do país.

As soluções desenvolvidas para o Viggen influenciaram projetos posteriores. A própria Saab reconhece que o sistema de canards e parte da capacidade de operação em pistas curtas do Gripen têm origem no Saab 37.

Caso o Draken e o Viggen cheguem ao Campo de Marte, o público brasileiro poderá observar de perto duas etapas importantes dessa evolução tecnológica.

A presença das duas aeronaves também teria um significado especial para o Brasil. Atualmente, a FAB incorpora o F-39E Gripen, enquanto empresas brasileiras participam da produção, montagem e desenvolvimento do programa.

O Draken, o Viggen e o Gripen representam três momentos distintos da indústria aeronáutica sueca. Dessa forma, os caças históricos ajudariam o MAPA a contar uma história que vai da Guerra Fria até a atual parceria entre Brasil e Suécia.

Além disso, o transporte exigirá planejamento técnico. Dependendo das condições das células, a operação poderá envolver desmontagem, envio por via marítima ou aérea e posterior preparação para exposição.

O Museu Aeroespacial Paulista está em implantação no Aeroporto Campo de Marte e deverá reunir aeronaves civis e militares ligadas à história da aviação brasileira e mundial.

Recentemente, o local recebeu o Grumman C-2A Greyhound que pertenceu à Marinha dos Estados Unidos. A aeronave chegou a São Paulo para permanecer no futuro complexo museológico.

Agora, a possível incorporação do Draken e do Viggen reforça o caráter internacional planejado para o acervo.

Por enquanto, a chegada dos caças suecos deve ser tratada como uma negociação em andamento. O diretor do MAPA relatou publicamente uma promessa, mas as autoridades suecas ainda não confirmaram os exemplares, o cronograma ou o formato da transferência.

Somente depois dessas definições será possível saber se o Brasil receberá uma doação permanente ou se os aviões permanecerão no MAPA por meio de um empréstimo ou cessão temporária.

Jota A, é Veterano da Força Aérea Brasileira, Aviador, Motociclista e Empresário. Escreve sobre aviação há 10 anos.