Novo acordo entre Embraer e Saab amplia produção do Gripen no Brasil e reacende debate sobre novos caças para a FAB

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Jota A
2 de agosto de 2026

O novo acordo entre Embraer e Saab para produção de Gripen no Brasil poderá ampliar o papel do país no programa do caça sueco. As empresas assinaram um Heads of Agreement (HoA), um acordo de princípios para expandir a capacidade industrial brasileira e permitir a fabricação de até 20 aeronaves adicionais em Gavião Peixoto (SP).

O entendimento foi divulgado pelas duas empresas poucos meses após a apresentação do primeiro Gripen E produzido no Brasil. Agora, a parceria avança para preparar a estrutura industrial da Embraer para atender futuras demandas, tanto do mercado brasileiro quanto de clientes internacionais.

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Diferentemente do que algumas publicações sugeriram, o documento assinado não corresponde a um contrato definitivo de produção. Trata-se de um Heads of Agreement, instrumento utilizado para estabelecer as bases de uma futura negociação entre as partes.

Segundo os comunicados oficiais da Saab e da Embraer, o objetivo é ampliar a capacidade da linha de montagem de Gavião Peixoto para permitir a fabricação de até 20 Gripen adicionais. Entretanto, o acordo definitivo ainda deverá ser negociado ao longo de 2026.

Além disso, as empresas destacam que essa capacidade poderá atender à demanda global pelo caça. Ou seja, o anúncio não significa que os aviões já tenham um cliente definido nem que serão destinados exclusivamente ao Brasil.

Desde o início do programa Gripen, a Embraer participa da transferência de tecnologia promovida pela Saab. Engenheiros brasileiros receberam treinamento na Suécia. Depois, passaram a atuar no desenvolvimento, na integração de sistemas e na montagem da aeronave.

Em março deste ano, as empresas apresentaram o primeiro Gripen produzido em território nacional. Com isso, Gavião Peixoto passou a abrigar a única linha de montagem final do caça fora da Suécia.

Agora, caso as empresas concluam o acordo, a unidade poderá ampliar sua participação no programa. Além disso, o Brasil poderá consolidar sua posição como um dos principais polos industriais do Gripen no mundo.

O anúncio também reacende uma discussão iniciada em junho deste ano. Durante uma visita oficial, representantes da Suécia afirmaram que o Brasil estuda adquirir aproximadamente 20 novos Gripen E/F para a FAB.

Até o momento, porém, o governo brasileiro não confirmou a negociação. Além disso, o acordo entre Embraer e Saab trata apenas da ampliação da capacidade industrial para futuras encomendas. Portanto, ele não representa uma compra de caças pela FAB.

Caso o governo avance com um novo lote, precisará enfrentar as atuais restrições no orçamento do Ministério da Defesa. Nos últimos anos, a redução de recursos afetou diferentes programas estratégicos das Forças Armadas.

O programa Gripen também sofreu ajustes nos cronogramas de pagamentos e entregas. Por isso, uma eventual ampliação da frota exigirá novos recursos e um planejamento que não prejudique o contrato atual.

Enquanto essa decisão não ocorre, Embraer e Saab preparam a estrutura brasileira para atender possíveis pedidos do Brasil ou de clientes internacionais.

Jota A, é Veterano da Força Aérea Brasileira, Aviador, Motociclista e Empresário. Escreve sobre aviação há 10 anos.