FEBRAERO propõe mudanças na formação de pilotos e medidas para proteger aeroclubes

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Jota A
3 de novembro de 2026

A formação de pilotos no Brasil enfrenta uma questão que começa muito antes do primeiro voo solo de um aluno: onde os futuros aviadores poderão aprender a voar se os aeroclubes continuarem perdendo suas instalações? Essa preocupação está no centro da Nota Técnica nº 012/2026, apresentada pela Federação Brasileira dos Aeroclubes (FEBRAERO), que reúne propostas para preservar a infraestrutura de instrução aeronáutica no país.

A Federação Brasileira dos Aeroclubes (FEBRAERO) apresentou essa preocupação na Nota Técnica nº 012/2026, de 2 de outubro, encaminhada como contribuição ao Programa Nacional de Capacitação e Desenvolvimento da Aviação Civil. O documento reúne propostas para preservar estruturas de instrução, ampliar oportunidades de formação e fortalecer a aviação civil brasileira.

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Segundo levantamento da Federação, atualizado em 1º de outubro de 2026, 46 aeroclubes foram despejados ou enfrentam ameaças de despejo no Brasil. Desse total, 22 já perderam suas áreas e outros 24 estão ameaçados ou envolvidos em disputas.

A entidade relaciona parte das dificuldades às mudanças regulatórias ocorridas entre 2018 e 2019, incluindo a declaração de inaplicabilidade das Portarias nº 05/1975 e nº 495/1977 e a substituição dos antigos RBHA 140 e 141 pelo RBAC 141.

Na avaliação da FEBRAERO, essas alterações enfraqueceram instrumentos de reconhecimento e apoio institucional aos aeroclubes.

A situação dos aeroclubes brasileiros também envolve questões relacionadas à legislação e ao reconhecimento dessas instituições. O AeroJota já abordou esse cenário na matéria Aeroclubes brasileiros e a legislação, que complementa a discussão apresentada pela FEBRAERO.

O documento informa que o Brasil possui 107 aeroclubes, dos quais 87 são Centros de Instrução de Aviação Civil (CIAC) Tipo 2, voltados à formação prática.

Segundo a Federação, essas instituições representam 64% da capacidade nacional de instrução prática. A entidade também estima uma necessidade aproximada de 2 mil novos pilotos por ano.

A FEBRAERO sustenta que o país não dispõe de uma rede pública estatal de escolas práticas de pilotagem equivalente à estrutura historicamente oferecida pelos aeroclubes.

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Entre as medidas apresentadas está a criação de uma Cota Funcional de Formação e Aerodesporto.

A proposta prevê destinar até 10% da área útil de hangares e instalações aeronáuticas dos aeroportos públicos Classe I às atividades de formação e aerodesporto, conforme a demanda qualificada.

Para aeroclubes que atendam aos requisitos previstos, a Federação defende a cessão gratuita de áreas essenciais por períodos renováveis de dez anos.

Como alternativa, sugere valores mensais de referência de R$ 0,45 por metro quadrado de área edificada e R$ 0,15 de área não edificada. Para escolas empresariais certificadas, propõe R$ 4,00 e R$ 1,45, respectivamente.

Os valores dependeriam de validação econômica e regulatória.

A contribuição da FEBRAERO inclui propostas de bolsas para horas de voo, financiamento estudantil, formação de instrutores e modernização de aeronaves e simuladores.

Também aborda os custos de combustível, manutenção e seguros, além da importância dos eventos aeronáuticos, do aerodesporto e das atividades de aproximação entre a população e a aviação.

A Federação defende procedimentos simplificados para eventos em aeroportos de baixa complexidade, respeitando as exigências de segurança operacional.

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Entre as 37 solicitações encaminhadas à Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), do Ministério de Portos e Aeroportos (MPOR), está a criação de um novo RBAC 140, ou instrumento equivalente, para o reconhecimento e acompanhamento institucional dos aeroclubes.

O documento também propõe um Conselho Consultivo da Aviação Civil, um Grupo Permanente de Formação Aeronáutica e a avaliação dos efeitos das mudanças regulatórias realizadas entre 2013 e 2019.

Para a FEBRAERO, preservar as instalações existentes, assegurar condições de funcionamento e ampliar os mecanismos de financiamento são medidas necessárias para sustentar a formação aeronáutica brasileira.

Documento completo: o AeroJota disponibiliza a seguir a Nota Técnica nº 012/2026 da FEBRAERO, para leitura e download na íntegra.