Base Aérea de São Paulo nos 85 anos enfrentou missão marcada por silêncio, acolhimento e respeito
Enquanto o país acompanhava em choque a tragédia do voo da Voepass, a Base Aérea de São Paulo começou a viver uma das missões mais delicadas de seus 85 anos de história. Longe da rotina operacional comum, a BASP adaptou estruturas militares, recebeu familiares em meio ao luto e apoiou uma missão marcada pelo respeito e pela dignidade humana.
A Base Aérea de São Paulo completa 85 anos no próximo dia 22 de maio de 2026. Ao longo de décadas, a unidade participou de missões militares, operações humanitárias, apoio presidencial e ações estratégicas da Força Aérea Brasileira. No entanto, poucos episódios recentes impactaram tanto a rotina da BASP quanto os dias após o acidente do ATR 72 da Voepass, ocorrido em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo.
Naquele momento, além da movimentação operacional envolvendo investigação, logística e transporte aéreo, a Base também passou a receber parentes e amigos das vítimas. Além disso, militares criaram uma estrutura especial para acolher familiares que chegavam à BASP em busca de apoio e informações sobre os translados funerários.

BASP foi ponto de passagem das urnas, não local de velório
Apesar da forte carga emocional da operação, a Base Aérea de São Paulo não realizou o velório das vítimas da Voepass. A unidade funcionou como ponto militar de passagem, preparação e embarque das urnas funerárias, dentro de uma operação conduzida com apoio da FAB e trâmites organizados pela companhia aérea.
Os atos fúnebres ocorreram depois, nas cidades das vítimas ou em locais definidos pelas famílias. Em Cascavel, por exemplo, a prefeitura chegou a disponibilizar o Centro de Eventos para uma despedida coletiva, já que 22 das 62 vítimas tinham ligação com a cidade. No entanto, parte das famílias preferiu cerimônias individualizadas.
Por isso, o papel da BASP ganhou uma dimensão específica. A Base não concentrou os velórios, mas precisou acolher familiares e amigos que passaram pela unidade em um momento de dor. Além disso, organizou o ambiente para que os embarques ocorressem com respeito, discrição e cuidado institucional.

Ato ecumênico marcou despedida antes das decolagens
Antes dos embarques das urnas funerárias, a Base Aérea de São Paulo realizou um ato ecumênico e acolheu familiares das vítimas. Segundo o Coronel Aviador Tiago, comandante da BASP naquele período, o momento contou com a presença de um capelão católico e de um capelão evangélico.
No ambiente militar, capelão é o padre ou pastor responsável por prestar assistência religiosa aos militares, familiares e demais pessoas atendidas em situações específicas. Nesse caso, a presença dos capelães reforçou o caráter humano, espiritual e solene da missão.

A celebração ocorreu antes da decolagem das aeronaves da FAB e marcou uma despedida simbólica dentro da Base Aérea de São Paulo. Assim, a BASP não atuou apenas como ponto operacional. A unidade também ofereceu acolhimento aos familiares em um momento de profunda dor.
Além disso, as imagens registradas na Base Aérea de São Paulo mostram que a missão foi além da logística aérea. A Polícia da Aeronáutica conduziu as urnas funerárias em formação solene antes dos embarques, reforçando o respeito institucional às vítimas e seus familiares.

KC-390 Millennium liderou operação de translado da FAB
A operação ganhou repercussão nacional quando a própria Força Aérea Brasileira confirmou o emprego do KC-390 Millennium no transporte das urnas funerárias das vítimas do acidente.
Segundo informações divulgadas pela FAB, o KC-390 Millennium FAB 2857 decolou da Base Aérea de São Paulo em 13 de agosto de 2024 para realizar o translado funerário de vítimas para diferentes regiões do país.
O primeiro voo deixou a BASP às 15h13 transportando três urnas funerárias. A aeronave seguiu inicialmente para Cascavel, no Paraná, onde duas vítimas desembarcaram. Depois, o cargueiro militar prosseguiu até Pelotas, no Rio Grande do Sul, para entregar a terceira urna.
Além disso, as imagens divulgaram um cenário incomum dentro da Base Aérea de São Paulo. Militares alinhados em posição de respeito, cerimônia religiosa, movimentação silenciosa das urnas e familiares acompanhando o translado transformaram a rotina operacional da unidade em um ambiente marcado pela emoção.

C-105 Amazonas ampliou missão humanitária
Nos dias seguintes, a operação continuou mobilizando aeronaves militares na Base. Além do KC-390 Millennium, a FAB também utilizou o C-105 Amazonas em novos voos funerários.
Em 14 de agosto de 2024, um C-105 decolou da Base Aérea de São Paulo transportando três urnas funerárias para Cascavel. Poucos dias depois, outro voo realizado pela mesma aeronave levou 12 vítimas para a cidade paranaense, ampliando ainda mais a dimensão logística da missão.
Entretanto, o impacto humano vivido dentro da BASP também chamou atenção de militares e equipes envolvidas diretamente na operação. Afinal, além do desafio operacional, a Base precisou lidar com um ambiente emocionalmente delicado durante vários dias consecutivos.

Missão ocorreu durante comando do Coronel Aviador Tiago
Toda a operação realizada pela Base Aérea de São Paulo durante os dias posteriores à tragédia da Voepass aconteceu sob o comando do Coronel Aviador Tiago, responsável pela BASP naquele período.

Atualmente, o Coronel Aviador Montenegro comanda a unidade durante os preparativos para as comemorações dos 85 anos da BASP, marcadas para 22 de maio de 2026.
Ao longo de diferentes períodos de comando, a Base Aérea de São Paulo segue acumulando capítulos importantes de sua história. Alguns capítulos envolvem grandes operações logísticas e missões militares. Entretanto, outros episódios permanecem marcados pelo impacto humano vivido dentro da própria unidade.

Tragédia da Voepass marcou capítulo recente da história da BASP
Ao completar 85 anos em 22 de maio de 2026, a Base Aérea de São Paulo reúne capítulos históricos ligados à aviação militar brasileira, operações estratégicas e missões humanitárias. Entretanto, a atuação durante os dias posteriores ao acidente da Voepass entrou para a memória recente da unidade de maneira diferente.
Dessa vez, não foram exercícios militares, demonstrações militares ou grandes deslocamentos logísticos que marcaram a rotina da BASP. O que permaneceu foi o respeito durante os embarques funerários e a necessidade de acolher famílias em um dos momentos mais difíceis de suas vidas.
Em meio aos 85 anos da Base Aérea de São Paulo, esse episódio mostrou uma dimensão menos conhecida da unidade militar. Além da operação aérea e da capacidade logística, a BASP também exerceu um papel humano, discreto e emocionalmente marcante diante de uma tragédia que mobilizou todo o país.





