Fim da escala 6×1 pode afetar voos internacionais, alerta CEO da LATAM

Jota

6 de maio de 2026

Avião da LATAM Embraer E-2 com a nova pintura_Foto Divulgação

O fim da escala 6×1 pode afetar voos internacionais no Brasil, caso futuras mudanças trabalhistas atinjam pilotos, comissários e demais aeronautas sem regras específicas para o setor aéreo. O CEO da LATAM Airlines Brasil, Jerome Cadier, afirmou que uma eventual mudança nas regras trabalhistas envolvendo o fim da escala 6×1 pode gerar impactos relevantes na aviação comercial brasileira. Segundo o executivo, dependendo do texto aprovado e das regras aplicadas aos aeronautas, operações internacionais de longa duração poderiam enfrentar dificuldades no país.

A declaração ocorreu durante coletiva relacionada aos resultados financeiros da companhia aérea. Além disso, o tema rapidamente ganhou repercussão entre profissionais da aviação, passageiros e especialistas do setor aéreo brasileiro.

Aviao-da-LATAM_Imagem-LATAM-1
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A discussão envolvendo o fim da escala 6×1 normalmente aparece ligada ao mercado tradicional de trabalho. Entretanto, a aviação comercial funciona sob regras próprias relacionadas à segurança operacional, fadiga humana, descanso obrigatório e limites de jornada.

Pilotos e comissários seguem legislações específicas que consideram fatores como fusos horários, tempo de voo, repouso mínimo, escalas internacionais e composição reforçada de tripulação. Portanto, empresas do setor afirmam que uma mudança genérica sem diferenciação técnica poderia criar dificuldades operacionais.

Durante a coletiva, Jerome Cadier declarou que voos internacionais acima de oito horas fazem parte da realidade operacional da aviação mundial. Dessa maneira, ele alertou que limitações rígidas poderiam afetar rotas de longa distância partindo do Brasil.

Na prática, voos internacionais de longa duração dependem de planejamento operacional extremamente detalhado. Rotas para Europa, América do Norte e Oriente Médio frequentemente ultrapassam oito, dez ou até doze horas de operação contínua.

Além disso, empresas aéreas utilizam tripulações compostas, períodos controlados de descanso e regras internacionais de segurança para garantir a operação dessas viagens. Por isso, o setor observa com atenção qualquer possível alteração trabalhista envolvendo aeronautas.

Especialistas da área lembram que a aviação não opera em horário comercial tradicional. Aeroportos funcionam vinte e quatro horas por dia, enquanto tripulações precisam cumprir escalas compatíveis com conexões internacionais, manutenção da malha aérea e disponibilidade operacional das aeronaves.

As declarações ocorreram no mesmo período em que a LATAM Airlines divulgou resultados financeiros positivos referentes ao primeiro trimestre de 2026. A companhia reportou lucro líquido de aproximadamente US$ 576 milhões, além de crescimento operacional relevante no período.

Segundo os números divulgados pela empresa, a LATAM transportou cerca de 22,9 milhões de passageiros no trimestre e registrou taxa média de ocupação superior a 85%. O desempenho reforçou o momento de recuperação e expansão vivido pelo grupo na América Latina.

Enquanto isso, o debate sobre a escala 6×1 segue avançando no cenário político brasileiro. No entanto, ainda não existe definição oficial sobre como futuras mudanças trabalhistas poderiam atingir categorias específicas como pilotos, comissários e demais profissionais da aviação civil.

Embora a discussão tenha ganhado força na aviação comercial, o tema ultrapassa o setor aéreo e envolve diferentes segmentos da economia brasileira. Ainda assim, empresas aéreas defendem que qualquer alteração futura considere as particularidades técnicas e operacionais da atividade aeronáutica.

Além da questão trabalhista, o setor também observa possíveis impactos em custos operacionais, disponibilidade de tripulações, frequência de voos e conectividade internacional do Brasil. Dessa forma, o assunto deve continuar movimentando debates entre companhias aéreas, sindicatos e autoridades nos próximos meses.

Para a aviação, o principal ponto permanece ligado à segurança operacional e à viabilidade das operações internacionais de longa duração, especialmente em um país continental como o Brasil.

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