Instrutor abre a porta do avião em pleno voo e salta; aluna consegue pousar sozinha na Argentina

Jota

9 de julho de 2026

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Um instrutor salta de avião durante voo de instrução na Argentina, no sábado, 5 de julho de 2026, e transforma uma aula comum em uma ocorrência difícil de explicar até para pilotos experientes.

A bordo do Cessna 150, uma aluna de 22 anos ouviu uma frase curta, viu o instrutor retirar o headset e percebeu que algo completamente fora do padrão estava prestes a acontecer.

A partir dali, o caso deixou de ser apenas uma emergência em voo. Além disso, passou a levantar perguntas sobre preparo, reação sob pressão, saúde mental na aviação e os segundos que separaram uma aula de treinamento de uma tragédia ainda maior.


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O voo seguia normalmente até que tudo mudou em poucos segundos

O acidente ocorreu no último sábado, durante um voo de instrução realizado em um Cessna 150 pertencente à escola Flying Parrot Córdoba, sediada no Aeródromo Coronel Olmedo, nos arredores da cidade de Córdoba.

O instrutor foi identificado como Leandro Andrés Bertazzo, de 42 anos. Já a aluna, identificada apenas como Rosario, de 22 anos, já possuía licença de Piloto Privado, mas ainda cumpria horas obrigatórias de treinamento acompanhada por um instrutor para avançar em sua formação, como Piloto Comercial.

Segundo o depoimento prestado pela estudante às autoridades, o voo transcorria normalmente quando Bertazzo pediu que ela mantivesse o controle da aeronave.

Logo depois, pronunciou apenas uma frase:

“Você sabe o que tem que fazer.”

Na sequência, retirou o headset, guardou o telefone celular, organizou seus pertences, desafivelou o cinto de segurança, abriu a porta da aeronave e saltou, sem paraquedas.

Naquele momento, o Cessna voava a aproximadamente 250 metros de altitude, cerca de 850 pés acima do solo.

Um detalhe chamou imediatamente a atenção dos investigadores e também de pilotos experientes.

Diferentemente do que muitos imaginam, abrir a porta de um Cessna 150 durante o voo exige esforço físico. Isso acontece porque a pressão aerodinâmica exerce força sobre a porta, dificultando sua abertura.

Por isso, especialistas argentinos avaliam que a ação exigiu determinação e não ocorreu de forma impulsiva nos segundos finais.

Além disso, o diretor da escola Flying Parrot Córdoba, Eduardo Álvarez, afirmou que essa característica da aeronave reforça a hipótese de uma ação deliberada.

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Enquanto o instrutor já não estava mais a bordo, Rosario permaneceu sozinha no comando da aeronave.

Mesmo diante de uma situação extremamente incomum, ela conseguiu controlar o avião, comunicar a emergência por rádio e seguir as orientações recebidas pela equipe da escola.

Pouco tempo depois, realizou um pouso seguro no próprio aeródromo, preservando completamente a aeronave.

Segundo a Flying Parrot Córdoba, a atuação da jovem demonstrou preparo técnico e autocontrole diante de uma situação que praticamente nenhum piloto espera enfrentar durante sua formação.

Outro aspecto que surpreendeu os investigadores envolve o comportamento do instrutor nas horas anteriores ao voo.

De acordo com colegas da escola, Bertazzo chegou normalmente ao aeródromo, conversou com funcionários, cumprimentou amigos e, inclusive, realizou outro voo de revalidação antes da instrução com Rosario.

Além disso, comentou que participava de um processo seletivo para ingressar em uma companhia aérea comercial.

Por esse motivo, ninguém percebeu qualquer comportamento considerado incomum durante o expediente.

A principal linha investigativa ganhou força após o diretor da escola comunicar a morte aos familiares do instrutor.

Segundo relato divulgado pela imprensa argentina, o pai de Bertazzo informou que o filho enfrentava problemas pessoais e havia procurado atendimento psiquiátrico poucos dias antes do voo.

A direção da Flying Parrot afirmou que desconhecia completamente essa informação.

Até o momento, a Justiça da província de Córdoba trabalha com a hipótese de um ato voluntário. Entretanto, a investigação continua em andamento para esclarecer todos os detalhes da ocorrência.

O episódio chamou atenção por reunir fatores pouco comuns em uma mesma ocorrência. Afinal, envolveu um voo de instrução, uma decisão extrema do instrutor, uma aluna sozinha nos comandos e um pouso seguro após o choque inicial.

Enquanto a investigação prossegue na Argentina, o caso também reforça a importância do preparo técnico dos pilotos em formação. Além disso, reacende o debate sobre comunicação em emergência e saúde mental em atividades de alta responsabilidade.