FAB confirma F-39 Gripen para substituir os A-1 AMX, mas decisão abre novo debate

Jota

8 de julho de 2026

F-39 Gripen da FAB durante voo como sucessor do A-1 AMX_Imagem Ilustrativa 2

Durante anos, o A-1 AMX ocupou um papel muito específico na Força Aérea Brasileira (FAB). Enquanto outras aeronaves assumiam a defesa do espaço aéreo nacional, ele especializou-se em missões de ataque ao solo, reconhecimento e apoio aproximado, tornando-se um dos principais vetores de combate da aviação militar brasileira.

Agora, uma resposta oficial do Comando da Aeronáutica muda o rumo das especulações sobre seu sucessor. Ao mesmo tempo, ela também desperta uma série de discussões que vão muito além da escolha de uma nova aeronave. Afinal, substituir um avião não significa apenas trocar um modelo por outro. A decisão envolve estratégia, treinamento, custos operacionais e o planejamento da capacidade de combate da FAB para as próximas décadas.

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Em resposta a uma consulta encaminhada ao Comando da Aeronáutica, a FAB informou que pretende substituir os caças A-1 AMX por novas unidades do F-39E Gripen. Além disso, esclareceu que, neste momento, não considera a aquisição de uma aeronave intermediária para cumprir essa função.

Com isso, pelo menos oficialmente, perde força a possibilidade de incorporação de aeronaves como o M-346FA, modelo que vinha sendo citado por especialistas e observado por parte do mercado internacional como uma possível alternativa para preencher essa lacuna.

Entretanto, embora a resposta esclareça a estratégia atual da FAB, ela também abre espaço para um debate técnico que envolve diferentes aspectos da aviação de combate.

A posição oficial da FAB responde qual aeronave deverá assumir as funções do A-1 AMX. No entanto, ela também levanta questões que continuam despertando interesse entre especialistas e entusiastas da aviação militar.

Mais do que discutir a escolha de um modelo específico, o debate passa a envolver a forma como essas missões serão executadas nos próximos anos.

Incidente-com-dois-A-1-AMX-na-Base-Aerea-de-Santa-Maria_Imagem-Sgt-Muller-Marin-FAB
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O A-1 AMX nunca foi um caça de superioridade aérea. Desde sua incorporação, foi empregado principalmente em missões de ataque ao solo, interdição, apoio aéreo aproximado (CAS), reconhecimento tático e emprego de armamentos de precisão.

Já o F-39E Gripen nasceu como um caça multifunção, capaz de desempenhar diversas funções dentro de uma mesma plataforma. Recentemente, inclusive, a aeronave concluiu importantes certificações na FAB, incluindo reabastecimento em voo, lançamento de bombas, disparo de mísseis e emprego de armamentos em testes reais.

Sob o aspecto operacional, portanto, não há dúvidas de que o Gripen possui capacidade para executar uma ampla variedade de missões.

Caca-Gripen-F-39-FAB_Imagem-Sgt-Muller-Marin-FAB-1
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Será que utilizar um caça de geração 4,5 em todas as missões atualmente realizadas pelo AMX representa a solução mais eficiente também do ponto de vista operacional e econômico? Essa pergunta envolve não apenas capacidade de combate, mas também disponibilidade da frota, desgaste das aeronaves e planejamento estratégico para seu emprego ao longo dos próximos anos.

Outro ponto que naturalmente surge nesse debate diz respeito ao custo de operação.

A FAB não divulga oficialmente o custo por hora de voo do F-39E Gripen. Ainda assim, estimativas de mercado apontam que o custo operacional da aeronave pode ficar entre US$ 4.000 e US$ 6.000 por hora de voo, algo em torno de R$ 22.000 a R$ 33.000, dependendo da cotação do dólar.

Ainda assim, é natural considerar que uma aeronave equipada com radar AESA, sensores integrados, sistemas avançados de guerra eletrônica, enlace de dados e aviônicos de última geração exija uma estrutura logística e de manutenção mais sofisticada do que aeronaves projetadas para funções mais específicas.

Dessa forma, a discussão deixa de ser apenas técnica e passa também pelo aspecto econômico.

Seria mais eficiente empregar o principal caça da FAB em todas as missões de ataque ao solo ou preservar parte de suas horas de voo para tarefas estratégicas de defesa aérea? Essa é uma reflexão presente em diversas forças aéreas ao redor do mundo e que passa a fazer parte do debate também no Brasil.

F-39-Gripen-agora-faz-parte-da-Defesa-Aerea-do-Brasil_Imagem-SAAB-1
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Outro aspecto pouco comentado envolve a formação dos pilotos militares.

Hoje, de forma simplificada, o caminho percorrido pelo aviador de caça passa pela formação inicial, pelo A-29 Super Tucano e, posteriormente, pelo F-39E Gripen.

Embora o Super Tucano seja reconhecido internacionalmente como um excelente treinador avançado e uma eficiente aeronave de ataque leve, ele continua sendo um turboélice.

Já o Gripen representa um salto tecnológico significativo. A aeronave reúne radar AESA, sensores integrados, fusão de dados, cockpit altamente digital, guerra centrada em redes e sistemas que exigem uma nova filosofia de gerenciamento das informações durante o combate.

Vale lembrar que a FAB possui um sistema de formação reconhecido internacionalmente. A discussão não coloca em dúvida a qualidade desse treinamento, mas levanta uma reflexão sobre o desafio de preparar pilotos para operar uma aeronave que reúne um nível de tecnologia muito superior ao observado nas gerações anteriores.

Por esse motivo, diversas forças aéreas utilizam treinadores a jato avançados, como o M-346, o T-50 Golden Eagle, o FA-50 e o L-39NG. Esses modelos não necessariamente substituem caças de combate, mas atuam como etapa intermediária na formação dos pilotos antes da transição para aeronaves de primeira linha.

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F-39E-Gripen

Outro fator que merece atenção está relacionado ao próprio cronograma do Programa Gripen.

O contrato foi assinado em 2014 e as últimas aeronaves previstas deverão ser entregues por volta de 2032. Quando esse processo estiver concluído, terão se passado aproximadamente dezoito anos desde a assinatura do acordo.

Isso não significa que o Gripen estará tecnologicamente ultrapassado. Pelo contrário. O projeto foi concebido com arquitetura aberta, permitindo constantes atualizações de software, sensores, armamentos e sistemas embarcados ao longo de sua vida operacional.

Ainda assim, o cenário mundial evolui rapidamente. Novas ameaças, drones de combate, inteligência artificial, guerra eletrônica e operações cada vez mais integradas vêm transformando a forma de empregar aeronaves militares. Por isso, além da aquisição das aeronaves, o planejamento estratégico também precisa acompanhar essa evolução constante.

A resposta oficial da FAB praticamente encerra as especulações sobre a aquisição de um caça intermediário para substituir os A-1 AMX. Entretanto, ela também inaugura uma discussão mais ampla sobre a forma como a Força Aérea Brasileira pretende conduzir essa transição.

Mais do que definir qual aeronave ocupará o lugar do AMX, o debate passa a envolver custos operacionais, disponibilidade da frota, formação de pilotos e a melhor estratégia para empregar um dos caças mais modernos atualmente em serviço na América Latina.

Nos próximos anos, à medida que novos Gripen forem incorporados e os últimos A-1 encerrarem sua carreira operacional, essas respostas deverão aparecer de forma prática. Até lá, a decisão oficial da FAB representa apenas o primeiro capítulo de uma discussão que certamente continuará acompanhando a evolução da aviação de caça brasileira.

Fonte: Site Metropoles

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