Santa Catarina vai limitar preço de passagens e subsidiar aviação regional no VOA + SC

Jota

6 de maio de 2026

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O programa VOA + SC pode mudar a forma como pequenas cidades catarinenses se conectam por via aérea nos próximos anos. Enquanto muitas regiões brasileiras ainda enfrentam dificuldades para manter voos comerciais regulares, o governo de Santa Catarina decidiu apostar em um modelo de aviação regional subsidiada, com limite no valor das passagens e incentivo direto às empresas aéreas.

A proposta chamou atenção porque o Estado não pretende apenas estimular novas rotas. Além disso, o governo catarinense também quer ajudar financeiramente operadores aéreos que utilizarem aeronaves de pequeno porte em ligações regionais. A iniciativa foi oficializada pelo Decreto nº 1.509, publicado no fim de abril.


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O texto do decreto estabelece que o governo poderá complementar parte dos custos das operações aéreas regionais. Na prática, o Estado poderá pagar uma parcela da hora-voo das empresas participantes, descontando a arrecadação obtida com passagens e transporte de cargas.

Ao mesmo tempo, o programa também prevê incentivo para aquisição de aeronaves. Segundo o decreto, o governo poderá subsidiar até 20% do valor de compra dos aviões utilizados no VOA + SC.

Outro detalhe importante envolve o perfil das aeronaves autorizadas. O programa será destinado a operadores com aviões de até 19 assentos e com no máximo 30 anos de fabricação. Além disso, as empresas precisarão cumprir todas as exigências da ANAC e do DECEA.

O ponto que mais repercutiu após a publicação do decreto foi justamente a criação de um teto para o valor das passagens aéreas dentro do programa.

Apesar disso, o governo catarinense tenta deixar claro que a medida não representa controle tarifário amplo sobre o setor aéreo brasileiro. Segundo o próprio texto oficial, o limite tarifário será aplicado apenas nas operações vinculadas ao VOA + SC e servirá como referência para cálculo dos subsídios públicos.

Ainda assim, o assunto pode gerar debate dentro do setor aeronáutico. Afinal, o mercado aéreo brasileiro opera em regime de liberdade tarifária desde o início dos anos 2000. Por isso, qualquer mecanismo de limitação de preços naturalmente desperta atenção entre empresas, especialistas e passageiros.

O VOA + SC surge em um momento no qual diversos aeroportos regionais brasileiros enfrentam baixa oferta de voos comerciais. Em muitos casos, a operação aérea acaba inviável economicamente sem algum tipo de incentivo público.

Em Santa Catarina, o governo estadual pretende utilizar o programa para estimular novas conexões regionais e reduzir a dependência do transporte rodoviário. A expectativa divulgada anteriormente pela Agência iNFRA indicava intenção de conectar até 12 aeroportos catarinenses.

Além disso, o planejamento financeiro inicial do programa prevê mais de R$ 112 milhões em investimentos distribuídos entre 2026 e 2028.

Na prática, o modelo lembra iniciativas regionais já observadas em outros países, especialmente em áreas onde o fluxo de passageiros ainda não sustenta operações comerciais convencionais sem apoio estatal.

Empresas aéreas precisarão cumprir exigências operacionais

O decreto também estabelece algumas obrigações para as empresas interessadas em participar do programa catarinense.

Entre elas, aparece a necessidade de operar pelo menos duas rotas aéreas regulares. Além disso, as companhias deverão cumprir frequência mínima definida pelo governo estadual.

Outro ponto relevante é que o programa não permitirá gratuidade total das passagens ao consumidor final. Segundo o decreto, a proibição busca evitar dependência permanente de recursos públicos para manutenção das operações.

Ainda não foram divulgadas oficialmente quais cidades catarinenses serão contempladas primeiro nem quais empresas poderão aderir ao programa.

O lançamento do VOA + SC acontece em um momento importante para a aviação regional brasileira. Nos últimos anos, diversas cidades perderam voos comerciais, enquanto aeroportos menores passaram a enfrentar redução operacional.

Ao mesmo tempo, operadores regionais continuam enfrentando custos elevados de combustível, manutenção, seguros e infraestrutura aeroportuária. Por isso, muitos projetos de expansão acabam limitados pela dificuldade de viabilidade econômica.

Agora, Santa Catarina tenta construir um modelo híbrido, no qual o Estado participa diretamente do incentivo operacional. Resta saber se o programa conseguirá manter equilíbrio entre sustentabilidade financeira, demanda regional e interesse das empresas aéreas.

Caso funcione, o VOA + SC poderá virar referência para outros estados brasileiros que também procuram alternativas para fortalecer a aviação regional.

Fontes: Governo de Santa Catarina, Agência iNFRA e ND+.


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