Quando chega o F-39F ao Brasil? Primeiro caça biposto da FAB é apresentado na Suécia

Jota

3 de junho de 2026

Primeiro caça biposto da FAB é apresentado na Suécia_Imagem divulgação SAAB 1

Quando chega o F-39F ao Brasil? Essa é a pergunta que começou a circular entre entusiastas da aviação militar após a Saab apresentar oficialmente o primeiro exemplar da versão biposta do Gripen em Linköping, na Suécia. Embora a aeronave represente um marco importante para a Força Aérea Brasileira (FAB), a resposta ainda depende de uma série de etapas técnicas que ocorrerão antes de qualquer entrega.

A expectativa é compreensível. Afinal, o programa Gripen representa o maior projeto de modernização da aviação de caça brasileira nas últimas décadas. No entanto, o avião apresentado recentemente ainda não está pronto para entrar em serviço operacional. Antes disso, ele passará por uma extensa campanha de ensaios e certificações.

Primeiro-caca-biposto-da-FAB-e-apresentado-na-Suecia_Imagem-divulgacao-SAAB
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O F-39F não surgiu por acaso. Pelo contrário, a versão de dois assentos foi desenvolvida para atender requisitos apresentados pelo Brasil durante as negociações do projeto Gripen.

Quando assinou o contrato para aquisição de 36 aeronaves em 2014, a FAB definiu que parte da frota deveria possuir configuração biposta. Com isso, o objetivo era permitir treinamento avançado, conversão operacional de pilotos e missões que exigem maior coordenação entre tripulantes.

Por esse motivo, o lote brasileiro inclui 28 aeronaves F-39E monopostas e oito exemplares F-39F bipostos. Além disso, o Brasil permanece entre os poucos operadores da variante F, ao lado de Tailândia e Colômbia, que também encomendaram o Gripen de dois lugares.

À primeira vista, a principal diferença está na presença de um segundo assento. Entretanto, as mudanças vão muito além da aparência externa.

O F-39F mantém praticamente todas as capacidades de combate presentes na versão monoposta. Assim, a aeronave pode executar missões de defesa aérea, ataque ao solo, reconhecimento e guerra eletrônica, preservando desempenho semelhante ao dos demais Gripen da FAB.

Além disso, o segundo tripulante não atua apenas como instrutor durante a formação de pilotos. Em missões mais complexas, ele também pode assumir funções de gestão de batalha, coordenação de sensores, apoio tático e integração com outros meios aéreos.

Esse papel ganha ainda mais importância em um cenário de combate moderno. Afinal, caças de nova geração tendem a operar conectados a drones, sistemas de inteligência artificial, radares avançados e plataformas de vigilância em tempo real.

A cerimônia realizada em Linköping reuniu representantes da Saab, autoridades brasileiras e profissionais envolvidos no programa Gripen. O evento simbolizou mais um avanço na cooperação tecnológica construída entre Brasil e Suécia ao longo da última década.

O programa vai além da simples compra de aeronaves. Desde o início, ele incluiu transferência de tecnologia, treinamento de engenheiros brasileiros e participação da indústria nacional no desenvolvimento de sistemas e estruturas.

Parte desse trabalho já ocorre no Brasil, especialmente nas instalações de Gavião Peixoto, interior de São Paulo, onde aeronaves Gripen vêm sendo produzidas e montadas em parceria com a indústria brasileira.

Apesar da apresentação oficial, ainda não existe uma data divulgada para a chegada do primeiro F-39F ao Brasil.

A aeronave apresentada agora será utilizada em uma série de testes de desenvolvimento, validações técnicas e processos de certificação. Somente após a conclusão dessas etapas a Saab poderá iniciar a produção dos exemplares destinados à Força Aéra Brasileira.

Por esse motivo, a apresentação em solo sueco representa apenas o início de uma nova fase do programa. A expectativa é que os próximos meses sejam dedicados à coleta de dados e ao refinamento dos sistemas da aeronave.

Mais do que receber um novo caça, o Brasil participa diretamente da construção da história da versão biposta do Gripen.

Enquanto diversos países acompanham o desenvolvimento do modelo, a FAB desempenhou papel fundamental na definição dos requisitos que deram origem ao F-39F. Dessa forma, o avião apresentado na Suécia não representa apenas uma nova aeronave de combate.

Além disso, ele simboliza o resultado de anos de cooperação tecnológica entre Brasil e Suécia. Por consequência, também reforça a posição da indústria aeronáutica nacional em um dos programas militares mais avançados da atualidade.

Até agora, poucos países decidiram apostar nessa configuração. Por isso, o fato de Brasil, Tailândia e Colômbia terem escolhido o Gripen F mostra que a versão biposta pode ganhar espaço em forças aéreas que buscam treinamento avançado, combate e gestão de missão em uma mesma plataforma.

Para os entusiastas da aviação militar, resta agora acompanhar a próxima etapa dessa trajetória. Afinal, a pergunta que continua despertando curiosidade permanece sem uma resposta oficial: quando chega o F-39F ao Brasil?