Soltura de balões durante festas juninas e julinas preocupa o DECEA

Jota

2 de junho de 2026

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A soltura de balões durante festas juninas e julinas voltou a acender um alerta importante para a aviação brasileira. Embora muita gente ainda enxergue essa prática como tradição popular, o risco para aeronaves, passageiros, tripulantes e moradores em solo é real.

Durante os meses de junho e julho, grupos ainda soltam balões de ar quente não tripulados em várias regiões do país. Por isso, o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) reforçou uma campanha de conscientização sobre os perigos dessa prática ilegal.

Quando alguém avista um balão, controladores de tráfego aéreo informam pilotos e operadores da região para reduzir riscos. No entanto, depois que o artefato entra no espaço aéreo, as equipes apenas tentam administrar uma ameaça criada em solo.

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O perigo não afeta apenas aeronaves pequenas. Em muitos casos, balões alcançam altitudes compatíveis com rotas utilizadas por aviões comerciais e também podem cruzar áreas próximas a aeroportos durante pousos e decolagens.

Segundo o DECEA, vários fatores influenciam a gravidade de uma colisão. O tamanho do balão, seu peso, a velocidade da aeronave e a área atingida podem ampliar o dano provocado pelo impacto.

Dados do CENIPA mostram que um balão de aproximadamente 15 kg pode gerar um impacto equivalente a cerca de três toneladas e meia ao atingir um avião voando a 300 km/h.

Por esse motivo, a preocupação não envolve apenas danos materiais. Além disso, dependendo do local atingido, um balão pode comprometer para-brisas, superfícies de comando, motores e outros componentes essenciais para a segurança do voo.

Os números mostram que o problema está longe de ser isolado. Levantamentos do CENIPA registraram 1.351 avistamentos de balões não tripulados em apenas alguns meses de monitoramento.

Além disso, uma cartilha de risco baloeiro voltada à segurança operacional aponta 6.926 ocorrências envolvendo balões no Brasil ao longo de dez anos.

Outro levantamento identificou 436 ocorrências nas proximidades de aeroportos brasileiros apenas entre janeiro e maio de 2023. Na prática, isso representou uma ocorrência próxima a áreas aeroportuárias a cada oito horas.

Portanto, esses dados ajudam a explicar por que o período das festas juninas e julinas recebe atenção especial das autoridades aeronáuticas todos os anos.

O risco não fica restrito ao espaço aéreo. Em maio de 2023, um balão caiu na pista do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, e pegou fogo próximo a uma aeronave comercial que estava estacionada.

Funcionários controlaram rapidamente as chamas, e a ocorrência não afetou a operação dos voos. Ainda assim, o episódio demonstrou como um balão pode alcançar áreas críticas dentro de um aeroporto.

Além dos riscos para aeronaves, a queda desses artefatos também pode provocar incêndios em áreas urbanas, vegetação, instalações industriais e propriedades rurais.

A soltura de balões não representa apenas um problema de segurança. A prática também configura crime pela legislação brasileira.

O artigo 42 da Lei nº 9.605/1998 prevê pena de detenção de um a três anos, além de multa, para quem fabrica, vende, transporta ou solta balões capazes de provocar incêndios em áreas urbanas ou rurais.

Por isso, autoridades reforçam que a tradição não pode se sobrepor à segurança. Embora muitas pessoas vejam os balões apenas como parte das festividades desta época do ano, os números mostram uma realidade diferente.

Além disso, a soltura de balões durante festas juninas e julinas continua representando uma ameaça concreta para a aviação brasileira. Evitar essa prática ajuda a proteger passageiros, tripulantes, moradores e o próprio patrimônio público e privado.

Texto: CV Denise Fontes / DECEA