Voo da FAB para Parintins com autoridades volta a colocar em debate o uso da aviação oficial

Jota

22 de julho de 2026

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Davi Alcolumbre e ministro viajaram em avião da FAB para Parintins, segundo informações divulgadas pelo site Metrópoles. O deslocamento ocorreu durante o tradicional festival folclórico da cidade amazonense e transportou outras dez pessoas.

O episódio, portanto, reacendeu o debate sobre o uso da aviação oficial por autoridades públicas. Além disso, levantou questionamentos sobre os critérios adotados, os custos da operação, a ocupação das aeronaves e a transparência desses deslocamentos.

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De acordo com a reportagem, o ministro das Comunicações embarcou como passageiro em um voo solicitado pelo presidente do Senado.

O destino era Parintins (AM), cidade que recebe anualmente um dos maiores eventos culturais do país. No entanto, a presença das autoridades no festival passou a gerar questionamentos sobre a finalidade do deslocamento.

As normas brasileiras permitem o transporte de determinadas autoridades em aeronaves da FAB. Contudo, esse uso deve atender às situações previstas na regulamentação.

Entre as possibilidades estão compromissos oficiais, motivos de segurança, emergências médicas e viagens consideradas de interesse público.

Além disso, os pedidos precisam seguir procedimentos administrativos. A coordenação envolve o Ministério da Defesa e os órgãos responsáveis pela operação da aviação oficial.

O Festival Folclórico de Parintins aumenta de forma expressiva o movimento aéreo na região. Por isso, a FAB também mobiliza equipes para reforçar o controle do espaço aéreo.

A atuação inclui militares do CINDACTA IV. Eles acompanham o fluxo de aeronaves e ajudam a manter a segurança das operações.

Durante o período do festival, Parintins recebe voos comerciais, executivos e particulares. Além disso, há operações de táxi-aéreo e deslocamentos oficiais.

Por esse motivo, as equipes trabalham de forma reforçada. O objetivo é organizar pousos, decolagens e rotas utilizadas pelas aeronaves.

Essa operação, porém, não deve ser confundida com o transporte das autoridades. A presença da FAB no controle do espaço aéreo faz parte do apoio ao evento. Já o voo oficial segue regras próprias.

O uso da aviação oficial já vinha sendo acompanhado pelo Tribunal de Contas da União.

Em auditorias anteriores, o TCU identificou viagens com baixa ocupação. Também apontou situações nas quais o transporte oficial apresentou custo elevado quando comparado à aviação comercial.

Diante disso, o tribunal recomendou melhorias nos critérios de utilização. Além disso, cobrou maior controle sobre os pedidos e mais transparência na divulgação das informações.

A análise não impede o uso das aeronaves por autoridades. Entretanto, reforça a necessidade de justificar cada viagem.

Outro ponto importante envolve a ocupação dos aviões. Quanto menor o número de passageiros, maior tende a ser o custo individual do deslocamento.

Por isso, o aproveitamento das vagas também passou a fazer parte do debate. Ainda assim, cada voo precisa ser analisado conforme sua finalidade e as condições disponíveis.

Davi Alcolumbre é senador pelo Amapá, presidente do Senado Federal e também do Congresso Nacional. Ele é filiado ao União Brasil.

O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, integra a cota política do União Brasil no governo Lula. Sua indicação ao cargo contou com o apoio de Alcolumbre e de outras lideranças do partido.

Siqueira Filho assumiu o ministério em abril de 2025. Antes disso, presidia a Telebras, empresa pública vinculada ao setor de telecomunicações.

Portanto, o voo reuniu duas autoridades politicamente próximas. Além disso, o ministro embarcou em uma aeronave solicitada pelo presidente do Senado.

O nome de Davi Alcolumbre já havia aparecido em questionamentos sobre o uso de aeronaves da FAB. O site AeroJota também acompanhou anteriormente esse assunto.

Em 2025, Alcolumbre realizou dezenas de deslocamentos em aviões da Força Aérea. Muitos tiveram Macapá, sua principal base política, como origem ou destino.

Além disso, parte das viagens ocorreu em datas próximas a fins de semana e feriados. Por isso, os deslocamentos levantaram dúvidas sobre a finalidade das agendas e o possível uso da aviação oficial em compromissos particulares.

Os dados, isoladamente, não comprovam irregularidades. Entretanto, reforçam a necessidade de divulgar a agenda oficial, a justificativa de cada voo e a relação completa de passageiros.

Assim, a viagem para Parintins não surge como um episódio isolado. Ela se soma a um histórico de questionamentos sobre frequência, custos, ocupação e transparência.